Ministro da cultura francês, Frank Riester: empresa contraria "espírito" e "texto" da nova diretriz da UE Ministro da cultura francês, Frank Riester: empresa contraria "espírito" e "texto" da nova diretriz da UE / Reprodução

Decisão do Google de não pagar direitos autorais a publishers franceses é criticada na Europa

O governo da França criticou a decisão do Google de mudar como exibe conteúdos produzidos por editores europeus no mercado francês para não pagar aos publishers pela exibição de trechos de notícias. O pagamento está previsto na nova diretriz dos direitos autorais aprovada pela União Europeia (UE) no começo deste ano. A França será o primeiro país do bloco colocar em prática as normativas a partir de outubro.

O ministro da cultura francês, Frank Riester, afirmou em comunicado que a decisão do Google à nova legislação é "contrária ao espírito e ao texto" da nova diretriz da UE. "A declaração do Google sobre a questão da compensação não é aceitável", disse Riester, que pediu ao mecanismo de busca que iniciasse uma "negociação global" com os editores sobre como pagar por material protegido por direitos autorais.

Angela Mills-Wade, diretora executiva do Conselho Europeu de Editores, acusou o Google de "abusar de seu poder de mercado e se colocar acima da lei, ao mesmo tempo em que finge que está agindo de acordo” com a legislação. “Eventualmente, isso colocará em risco o jornalismo profissional e a diversidade da imprensa. A diretiva foi projetada para nivelar o campo de atuação entre o poder de negociação de grandes empresas de tecnologia e editoras. É claro que o Google está desrespeitando a intenção da lei”, disse Mills-Wade.

Na quarta-feira (25), o vice-presidente de notícias da empresa, Richard Gingras, afirmou que o Google só exibirá visualizações e imagens em miniatura de notícias caso os editores concordarem em fornecê-las gratuitamente. Em texto publicado no blog da empresa, o executivo justificou a decisão do gigante de buscas.

“As pessoas confiam no Google para ajudá-las a encontrar informações úteis e autorizadas, de diversas fontes. Para manter essa confiança, os resultados da pesquisa devem ser determinados pela relevância, e não pelas parcerias comerciais”, escreveu Gingras. “É por isso que não aceitamos pagamento de ninguém para ser incluído nos resultados de pesquisa. Nós vendemos anúncios, não resultados de pesquisa, e todos os anúncios no Google estão claramente marcados. É também por isso que não pagamos aos editores quando as pessoas clicam em seus links em um resultado de pesquisa”.

O embate na França é o primeiro grande conflito entre uma plataforma tecnológica e um país integrante da UE sobre como cumprir as proteções mais rígidas de direitos autorais no bloco.

Pacote de dados contra deepfakes

O Google também anunciou esta semana um pacote de dados para combater os deepfakes, vídeos manipulados por inteligência artificial (IA). O conjunto de informações (com 3 mil vídeos deepfakes) poderá ser usado, segundo a empresa, como ponto de referência para determinar se um vídeo foi alterado artificialmente.

"Para preparar esse pacote de dados, durante o ano passado, trabalhamos com atores pagos e com o consentimento para gravar centenas de vídeos", informaram Nick Dufour, do Google Research, e Andrew Gully, do Jigsaw, uma unidade de pesquisa independente da Alphabet, que pertence ao Google.

"Usando os métodos de geração de deepfake disponíveis ao público, criamos milhares de deepfakes a partir desses vídeos. Os vídeos resultantes, reais e falsos, constituem nossa contribuição, que criamos para apoiar diretamente os esforços de detecção do deepfake".

No início deste ano, o Google divulgou dados de áudio sintético (recurso que consegue imitar a voz humana) com o mesmo objetivo e vem trabalhando com parceiros do setor para detectar e impedir falsificações.

Leia mais em:

https://www.cjr.org/the_media_today/google-news-france.php

https://www.ft.com/content/a451ffda-df87-11e9-9743-db5a370481bc

https://images.fastcompany.net/image/upload/w_1153,ar_16:9,c_fill,g_auto,f_webm,q_70/wp-cms/uploads/2019/09/p-1-google-releases-trove-of-deepfake-videos-so-researchers-can-help-fight-them.gif

https://olhardigital.com.br/fique_seguro/noticia/google-lanca-banco-de-dados-de-combate-a-deepfake/90761