O mundo precisa recuperar a capacidade de desmascarar mentiras, diz escritor Moisés Naím Reprodução

O mundo precisa recuperar a capacidade de desmascarar mentiras, diz escritor Moisés Naím

O avanço das tecnologias e os hábitos digitais das pessoas estão na base de uma nociva prática da desqualificação daqueles que atuam para verificar e validar os fatos em mundo marcado pela desinformação que se propaga em alta velocidade e em todo o mundo. “É preciso recuperar a capacidade da sociedade de reconhecer e desmascarar mentiras. É imperativo derrotar aqueles que declararam guerra à verdade”, diz o colunista e escritor venezuelano Moisés Naím, em artigo publicado pela revista Slate.

Naím assinala que a informação é, ao mesmo tempo, mais valorizada e mais desprezada do que nunca. Nesta complexidade, a desinformação, a fraude e a manipulação que fomentam conflitos estão crescendo tão rapidamente quanto as informações extraídas dos enormes bancos de dados digitalizados. “A grande ironia é que, ao mesmo tempo em que hoje existem informações mais facilmente disponíveis do que no passado, também existem mais dúvidas e confusão sobre a veracidade do que nos chega através dos meios de comunicação e das redes sociais”, afirma.

Separar a verdade da mentira sempre foi fundamental, mas agora essa tarefa ganha a urgência proporcional à velocidade e eficácia alcançadas pela desinformação. É aí que, ressalta Naím, entram as campanhas de desqualificação daqueles cuja tarefa é proteger a verdade, entre eles jornalistas e cientistas, para criar a instabilidade social.

Naím resgata o que disse o jornalista Alan Rusbinger, ex-diretor do jornal britânico The Guardian: “Estamos descobrindo que a sociedade realmente não pode funcionar se não concordarmos com a diferença entre um evento real e um evento falso. Você não pode ter debates, leis, tribunais, governança ou ciência se não houver acordo sobre qual é um fato real e qual não é.”

O escritor venezuelano diz ainda que o mundo de hoje renova a validade do alerta feito por Hannah Arendt há mais de seis décadas. “O sujeito ideal de um regime totalitário não é o nazista convencido ou o comunista comprometido, são as pessoas para as quais deixou de existir a distinção entre fatos e ficção, o verdadeiro e o falso”, afirmou a filósofa e teórica política em 1951.

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