Trump eleva o tom agressivo à imprensa às vésperas das eleições de 2020 Reprodução/SIP

Trump eleva o tom agressivo à imprensa às vésperas das eleições de 2020

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou o tom dos seus já duros ataques à imprensa norte-americana, fomentando descrédito e hostilidade a jornalistas e organizações de notícias, segundo o mais recente relatório da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) sobre o país.

O documento, apresentado na Assembleia Geral da SIP, de 4 a 7 de outubro, revela que esse ambiente dificulta a capacidade de apuração dos profissionais de comunicação, em como a divulgação de informações de direito do público.  

O informe da SIP destaca ainda que Trump faz questão de exercer favoritismo a personalidades das redes sociais e à mídia que o apoia, enquanto limita drasticamente o acesso da imprensa independente à Casa Blanca. Desde março, as tradicionais coletivas de imprensa na residência oficial do presidente e sede do governo dos Estados Unidos estão suspensas.

No Twitter, diz o relatório da SIP, Trump segue desqualificando a imprensa, que segundo ele é “corrupta”. Alguns jornalistas norte-americanos têm sofrido agressões físicas por parte do público e por parte de parcela da polícia, diz a SIP.

Violência explícita em vídeo   

A agressividade de Trump contra a imprensa e adversários políticos foi exaltada de forma bizarra por apoiadores do presidente em uma conferência realizada na semana passada em Miami, segundo imagens obtidas pelo jornal The New York Times.

Um grupo pró-Trump  chamado American Priority exibiu no encontro, realizado em resort pertencente ao presidente, um vídeo no qual um falso Trump apunhala e agredi brutalmente jornalistas e democratas.  O vídeo, que inclui o logotipo da campanha de reeleição do republicano em 2020, inclui uma série de memes da internet.

O clipe mais violento mostra a cabeça de Trump colada sobre o corpo de um homem que abre fogo dentro da “Igreja das Notícias Falsas” contra paroquianos que têm o rosto de seus críticos ou os logotipos de organizações de mídia coladas em seus corpos. Parece ser uma cena editada de um massacre do filme de "Kingsman: O Serviço Secreto".

A exibição do vídeo mostra como a linguagem contra a imprensa de Trump influenciou seus apoiadores e se espalhou por conta própria. Trump fez dos ataques à mídia um dos pilares de sua Presidência, e, em 2017, ele tuitou um vídeo semelhante, mas muito menos violento. Nas últimas semanas, ao enfrentar processos de impeachment, ele aumentou seus ataques às empresas de notícias, as chamando várias vezes de “inimigas do povo”.

Stephanie Grisham, secretária de imprensa da Casa Branca, disse no Twitter que, embora Trump não tenha visto o vídeo, "com base em tudo o que ouviu, ele o condena fortemente".

Leia mais em:

https://www.sipiapa.org/notas/1213519-actitud-anti-prensa-del-gobierno-estados-unidos-se-agudizo-este-semestre