Equívocos colocam em vantagem líderes que desinformam, como Donald Trump (EUA) Equívocos colocam em vantagem líderes que desinformam, como Donald Trump (EUA) Reprodução

Fact-checking na área política distorce a verdade ao julgar declaratórios, diz escritor Alex Pareene

A verificação de fatos dentro das redações e nas organizações especializadas é hoje parte fundamental do trabalho jornalístico que serve de contraponto à desinformação on-line. Quando se trata de política, porém, a checagem de informações e declarações pode acabar se transformando em um vetor de confusão informativa se não for acompanhada de extremo rigor na aplicação das regras de isenção e ética jornalística, diz escritor Alex Pareene, em artigo na revista The New Republic.

“A verificação de fatos surgiu de uma tradição jornalística de não apenas explicar, mas aceitar o mundo como ele é. O problema é que os verificadores de fatos expandiram seu alcance, desde a checagem de declarações estritamente empíricas até a ‘verificação’ de declarações políticas contestáveis”, diz Pareene. Como resultado, exemplifica o escritor, o presidente dos Estados Unidos mais “verificável da história” – o republicano Donald Trump – supera até os verificadores de fatos. 

Na análise desequilibrada de alguns verificadores, continua Pareene, absurdos proferidos por Trump, como sua sugestão em abril de 2019 de que as turbinas eólicas causam câncer, não parecem diferentes da afirmação da deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez de que é moralmente errado pagar às pessoas menos que um salário.

O escritor dá outro exemplo de perigoso equívoco por parte de verificadores. No debate presidencial democrata de junho do ano passado, o senador Bernie Sanders disse: "Três pessoas [neste país] possuem mais riqueza do que a metade inferior da América". Glenn Kessler, que lidera o blog de checagem do jornal The Washington Post, segundo Pareen, resolveu contestar a informação, mesmo depois de estar claro que se tratava de uma verdade. “’As pessoas na metade inferior não têm essencialmente riqueza’, destacou Kessler prestativamente. ‘Portanto, a comparação não é especialmente significativa’".

Em setembro de 2019, de acordo com Pareen, o PolitiFact, organização administrada pelo Instituto Poynter, fez algo semelhante ao classificar como falsas as afirmações do democrata Julian Castro segundo as quais há "grande diferença" entre um plano de assistência médica em que as pessoas são automaticamente inscritas e outro no qual elas optam. Trabalho de checagem da Associated Press em relação a uma declaração da senadora Elizabeth Warren, outra democrata, também incorreu em erro, no entendimento do escritor. Quando a parlamentar culpou a política comercial pelas perdas de empregos nos Estados Unidos, a agência de notícias rebateu: "Os economistas culpam principalmente a automação e os robôs pelas perdas de empregos, e não os acordos comerciais”.

Pareen afirma que os verificadores fazem um bom trabalho quando segue o conceito de Aristóteles segundo o qual “dizer o que é que é, ou o que não é o que não é, é verdade”. Se os verificadores de fatos mantiverem essa “estreita interpretação dos fatos”, enfatiza o escritor, “podem realmente ser úteis hoje”.

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