Imprensa tem de personalizar seu noticiário para sobreviver, diz publisher do The Wall Street Journal Reprodução

Imprensa tem de personalizar seu noticiário para sobreviver, diz publisher do The Wall Street Journal

A personalização da notícia em meio à hiperinformação e às falsidades espalhadas nas redes sociais é hoje uma prática essencial para que as grandes organizações de notícias mantenham relevância e, com isso, sobrevivam, diz William Lewis, CEO da Dow Jones e publisher do jornal The Wall Street Journal. Na última sexta-feira (7), o diário relatou ter ultrapassado 2 milhões de assinaturas digitais pela primeira vez, após um crescimento de 13% no número de assinantes digitais no último trimestre de 2019.

Em palestra City University of London  para estudantes de jornalismo e jornalistas, Lewis descreveu como a Dow Jones, parte da News Corp do bilionário Rupert Murdoch, desenvolveu um "forte senso de propósito" para enfrentar a crise de “personalização” que afeta toda a mídia. “Todos na Dow Jones sabemos o que representamos e por que trabalhamos, e esse objetivo é dar às pessoas os fatos de que precisam em uma época de desinformação”, disse.

Lewis comentou que, para realmente cumprir esse objetivo e levar jornalismo de qualidade a um público maior e mais amplo, o jornal teve de se afastar da própria ideia de público. "Em vez disso, nos concentramos obsessivamente no leitor como indivíduo", afirmou. Ela enfatizou ainda que não tem visto isso em outras organizações, o que pode comprometer a democracia.

 “De muitas maneiras, no caso de essa crise – esse momento decisivo – se concretizar como um desastre, terá sido criado pela própria mídia. Um desastre causado por arrogância e desatenção às enormes e perturbadoras mudanças nas expectativas dos leitores em relação a nós como jornalistas”, disse Lewis.

Sem entender a crise política

Mas a crise do jornalismo é, no entendimento do escritor especializado em política Lee Siegel, muito mais grave, e o The Wall Street Journal está na mesma posição das demais grandes organizações. Siegel diz que a demonstração mais clara de como a mídia está equivocada diante da pressão que sofre a partir de disrupção digital foi dada pela cobertura da imprensa em relação à absolvição, no Senado, do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sepultou o processo de impeachment do republicano.

“O The New York Times deveria ter publicado um editorial declarando emergência nacional. A CNN deveria ter dedicado um dia e uma noite inteiros aos painéis que declaravam o mesmo. Em vez disso, o ciclo de notícias afundou novamente em seus sulcos desgastados”, critica Siegel. “A página inicial do The Washington Post estava cheia de artigos sobre a absolvição, mas dois deles reduziram o evento ao drama pessoal”, assinala.

No caso do The Wall Street Journal, o escritor salientou o jornal publicou no topo de sua página inicial uma manchete citando Trump que, durante o impeachment, "passou pelo inferno’”. Para o escritor, em todo o universo das notícias, havia muito pouco a sugerir “que a república estivesse lutando por sua vida”.

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https://www.cjr.org/analysis/what-the-media-should-look-like-now.php

https://www.pressgazette.co.uk/wall-street-journal-publisher-warns-media-brands-must-personalise-news-to-survive/?utm_medium=email&utm_campaign=2020-02-11&utm_source=Press+Gazette+Daily+new+layout