“Negócio que todos davam como terminal, voltou a florescer”, afirma Ascânio Seleme

“Negócio que todos davam como terminal, voltou a florescer”, afirma Ascânio Seleme

Após uma longa crise iniciada em 2004, no começo chamada disrupção digital, grandes jornais do mundo, inclusive no Brasil, dão sinais de recuperação a partir de suas adaptações ao meio on-line. Os números positivos mais recentes vêm da França, onde a leitura das versões em PDF das principais publicações cresceu 23,7% em 2019, na relação com 2018, para 390 milhões de cópias – enquanto o total (papel + digital) chegou a 3,3 bilhões de exemplares –, contra uma queda percentual de 3,6% dos impressos. “Um negócio que todos davam como terminal voltou a florescer”, afirma Ascânio Seleme em sua coluna desta quinta-feira (13) no jornal O Globo. Mas o pedido de falência da segunda maior editora de jornais dos Estados Unidos, a McClatchy, na quinta-feira (13), mostra que a retomada sustentável ainda está distante, em especial para a mídia local.

Na imprensa diária nacional da França (PQN, presse quotidiene nationale), todos os títulos, exceto o Aujourd’hui en France (-8,6%) registraram aumento nas suas distribuições pagas ao longo em 2019, segundo a L'Alliance pour les Chiffres de la Presse et des Médias (ACPM). L’Humanité lidera, com 13,5%, à frente de Le Monde (12,2%), Libération ( 6,3%), Le Figaro ( 5,3%), Les Echos ( 0,8%) e La Croix (+ 0,5%). No geral, o crescimento da mídia nacional em papel foi de 2,7%, enquanto os impressos regionais recuaram 3%, mas com crescimento de 11,4% nas suas versões em papel.

Em sua coluna, Seleme avalia que os impressos superaram o período em que muitos confundiram os jornais com uma indústria de papel. “O papel era e segue sendo apenas uma plataforma para levar informação ao consumidor. Hoje, todas as outras plataformas digitais alavancam os veículos profissionais que produzem jornalismo profissional. Mais do que notícia e análise em texto, os jornais produzem conteúdo em todos os formatos disponíveis, em áudio, podcast e vídeo”, diz.

Seleme cita o jornal norte-americano The New York Times como o exemplo mais consistente da “virada” da indústria jornalística. O valor dos grandes jornais chegou ao fundo do poço, lembra. “Todos encolheram com sucessivos cortes de pessoal, outros foram vendidos a preços ultrajantes, e muitos desapareceram. No dia 1º de fevereiro de 2009, cada ação do The New York Times, o maior jornal do mundo, era cotada a US$ 4,13 na Bolsa de Nova York, resultado mais baixo de um mergulho iniciado em 2004, quando a tormenta por que passaria a mídia impressa começava a produzir os seus primeiros relâmpagos”, diz.

Em 11 anos, enfatiza o jornalista, as ações do The New York Times subiram 924% (US$ 38,78 a ação na última quarta-feira, 12). As ações do jornal, continua Seleme, aumentaram mais do que as da Renner, da Ambev e da Klabin, que cresceram respectivamente 923%, 677% e 621% de 2010 a 2020

Alto risco para os jornais locais

Mas é também dos Estados Unidos do The New York Times que chegam as notícias mais preocupantes no momento: a McClatchy (que opera o Miami Herald, o Sacramento Bee e outros jornais) anunciou nesta quinta-feira (13) que entrou com um pedido de falência. Um plano de reorganização incluído na solicitação do segundo maior grupo de jornais do país pode transferir a propriedade dos jornais ao seu maior credor, o grupo Chatham Asset Management, um fundo de hedge também proprietário majoritário do National Enquirer e da maior cadeia de jornais do Canadá.

Segundo Joshua Benton, do Nieman Lab, é o prenúncio de mais concentração dos negócios do setor e de nova rodada de cortes de custos para um dos maiores atores do jornalismo local em um momento em que a maioria das redações norte-americanas já se esforça para cobrir suas comunidades. “Cerca de 20% de todos os jornais dos Estados Unidos fecharam desde 2004, de acordo com um relatório recente da PEN America, e o setor perdeu 47% de seus empregos”.

Leia mais em:

https://www.axios.com/mcclatchy-bankruptcy-filing-local-news-journalism-5c46de95-de85-4122-b39a-7b56cb1add1b.html

https://www.mcclatchydc.com/news/nation-world/national/article240139933.html

https://www.acpm.fr/Les-chiffres/Diffusion-presse/Presse-Payante/Presse-Quotidienne-Nationale

https://www.cbnews.fr/etudes/image-44-francais-utilisent-bloqueurs-publicite-49496

https://www.niemanlab.org/2020/02/mcclatchy-files-for-bankruptcy-likely-ending-163-years-of-family-control-and-setting-up-more-consolidation-in-local-news/?utm_source=Daily+Lab+email+list&utm_campaign=55f01c97c6-dailylabemail3&utm_medium=email&utm_term=0_d68264fd5e-55f01c97c6-386384393

https://www.axios.com/local-news-media-partisan-websites-11a39f2d-362f-4f51-b6d6-899a693a7700.html

https://www.acpm.fr/Les-chiffres/Diffusion-presse/Presse-Payante/Presse-Quotidienne-Nationale

https://oglobo.globo.com/opiniao/jornais-boas-noticias-24245571