Em ano de eleição, mais de 60% dos brasileiros não sabem identificar uma notícia falsa, segundo pesquisa Reprodução

Em ano de eleição, mais de 60% dos brasileiros não sabem identificar uma notícia falsa, segundo pesquisa

O Brasil ingressa em mais um ano eleitoral com a maior parte da população brasileira sem saber reconhecer uma desinformação digital nas redes sociais e aplicativos de mensagem, que foram espalhadas aos borbotões em 2018, durante a disputa presidencial. Recente pesquisa da empresa de cibersegurança Kaspersky em parceria com a empresa de pesquisa CORPA – “Iceberg digital” – indica que 62% dos brasileiros não sabem identificar ou não têm certeza se conseguem diferenciar se uma notícia na internet é falsa ou verdadeira. O estudo revela ainda que, apesar dessa dificuldade, os brasileiros estão familiarizados com o termo “fake news”: apenas 2% dos entrevistados desconhecem a expressão.

O estudo, feito nos demais países da América Latina, traz um quadro geral ainda mais preocupante. Em média, 70% dos latino-americanos não sabem identificar ou não têm certeza se conseguem diferenciar se uma notícia na internet é falsa ou verdadeira. Os cidadãos que menos conseguem reconhecer notícias falsas são os peruanos (79%), seguidos pelos colombianos (73%) e chilenos (70%). Mais atrás estão os argentinos e mexicanos, com 66%.

A pesquisa mostra que 16% dos entrevistados na América Latina desconhecem completamente o termo “fake news”, um aspecto em que os peruanos também se destacam, com 47% dos entrevistados alegando que não sabem o que a palavra significa.

Apenas 2% dos latino-americanos consideram as notícias falsas inofensivas, enquanto a grande maioria as classifica como perigosas e eventualmente danosas: 72% dos entrevistados acreditam que as notícias falsas viralizam para que alguém receba algo em troca ou para causar dano a algo/alguém. Mesmo tendo essa percepção negativa, quase metade dos brasileiros (42%) ocasionalmente questiona o que lê na web. Os usuários peruanos mais uma vez lideram o ranking regional com 58%, eles são seguidos pelos colombianos (47%), chilenos, argentinos e mexicanos.

O estudo mostra também que, em média, um terço dos latino-americanos usa apenas as redes sociais para se informar diariamente e apenas 17% se informam em sites da mídia tradicional. Destes, os que utilizam as redes mais vezes com esse propósito são os mexicanos (35%), seguidos pelos brasileiros (33%) e chilenos (32%). Mais atrás estão os peruanos (31%), argentinos (28%) e colombianos (26%).

"Os resultados deste novo estudo deixam claro que grande parte dos latino-americanos continua confiando fielmente no que circula na web, algo que pode causar graves consequências não apenas no âmbito pessoal, mas também no profissional", diz Fabio Assolini, pesquisador sênior de segurança da Kaspersky no Brasil. “No caso de fake news, além de prejudicar uma pessoa ou instituição, pode também destruir reputações e gerar caos. Elas também são usadas pelos cibercriminosos para atrair usuários desatentos para links maliciosos e, assim, roubar dados pessoais e dinheiro”.

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https://www.kaspersky.com.br/about/press-releases/2020_62-dos-brasileiros-nao-sabem-reconhecer-uma-noticia-falsa