Google quer parte da receita de assinaturas que gerar para publishers, diz Financial Times

Google quer parte da receita de assinaturas que gerar para publishers, diz Financial Times

No começo deste mês, ao anunciar que ajudaria os publishers com assinaturas digitais, o Google alimentou a expectativa de que não cobraria por isso. Entretanto, segundo o Financial Times, o gigante de tecnologia estuda a possibilidade de ficar com até 30% do faturamento sobre as assinaturas online obtidas pelos produtores de conteúdo a partir da navegação no Google.

A intenção, relata o jornal britânico, esfria a sensação de que o Google, assim como o Facebook, estaria mesmo disposto a fazer uso do seu poderio tecnológico para incrementar o já crescente modelo de paywall da mídia. Ao mesmo tempo, levanta a hipótese de que a empresa norte-americana está apenas abrindo mais uma frente de faturamento, como intermediário entre leitores e publishers, mantendo o enorme desequilíbrio competitivo a seu favor no meio digital e, numa visão mais pessimista, preparando-se para entrar no negócio de assinaturas digitais.

"As assinaturas de notícias são atualmente um ponto minúsculo no potencial de novas receitas para alguém como o Google, mas faz sentido para eles se tornarem mais do que um intermediário, o que eles tentaram fazer por meia dúzia de anos desde o Google Wallet”, analisa o especialista em mídia Ken Doctor. “Se esses produtos são assinaturas, músicas ou filmes, são uma parte significativa da estratégia de negócios do Google e [neste ponto] eles não foram tão bem-sucedidos se comparados a Apple ou Amazon”.

O Google negou que tenha definido uma participação no faturamento das futuras assinaturas digitais obtidas pelos publishers por meio de sua plataforma de buscas. "Não chegamos a nenhuma conclusão sobre o lado da receita. Não chegamos a nenhuma conclusão sobre as assinaturas e precisamos falar com os publishers", disse a porta-voz da Google, Maggie Shiels.

No fim de semana, O Financial Times informou que, com as mudanças como o fim do first click free, o gigante de buscas na internet analisará os dados de usuários, combinados com algoritmos para auxiliar os editores de notícias na identificação de potenciais assinantes e direcionar sua base de cliente para inovações. Em entrevista ao Financial Times, o diretor de notícias do Google, Richard Gingras, sinalizou que, nessa relação, a empresa norte-americana deverá receber algo em troca.

"Obviamente, a ação vai ao encontro do que pensamos de como o relacionamento comercial deve ser, mas, em termos gerais, acho que (as partes da receita) serão extremamente generosas (para as produtoras de notícias)", disse Gingras. "No nosso ambiente de anúncios, as ações correspondem a cerca de 70%. Para editores, será significativamente mais generoso do que isso ". Ele, entretanto, negou que o Google queria avançar no negócio de paywall. "Se houver casos em que geramos a efetivação de assinatura, não queremos possuir o cliente”, afirmou.

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http://www.niemanlab.org/2017/10/exceedingly-generous-google-will-split-revenue-with-publishers-who-use-its-new-subscription-tools/