Sob pressão, Facebook anuncia novas regras de publicidade antes de depoimento nos EUA Reprodução/O Globo/AP

Sob pressão, Facebook anuncia novas regras de publicidade antes de depoimento nos EUA

Um pouco antes de prestar depoimento ao Congresso dos Estados Unidos sobre como organizações russas pagaram para promover propaganda política em sua plataforma durante a eleição presidencial norte-americana em 2016, o Facebook anunciou mudanças. A empresa de mídia social anunciou, na sexta-feira (27) passada, uma série de novas diretrizes focadas em anúncios, sobretudo propagandas relacionadas à política. A finalidade, garante a empresa de Mark Zuckerberg, é garantir o que ainda não conseguiu após várias promessas nos últimos meses: transparência à veiculação dos conteúdos.

"Quando alguém compra anúncios políticos na TV ou outros meios de comunicação, eles são obrigados por lei a divulgar quem pagou por eles. Agora, estamos trazendo o Facebook para um padrão ainda maior de transparência", afirmou Zuckerberg, em postagem na sua página oficial. O teste das novas funções começou no Canadá e, em 2018, chegará aos EUA e outros países, entre eles o Brasil provavelmente.

Quem pagar para promover um post ligado às eleições de um país, informou o Facebook, deverá ter sua identidade verificada pelo Facebook e exibir seu nome no próprio anúncio. Além disso, não será mais possível patrocinar um post através de um perfil de usuário, pois o anúncio deverá, obrigatoriamente, estar ligado a uma página que seja verificada. A própria peça publicitária deverá vir com dois novos alertas, indicando que o post é propaganda política e quem pagou por ele.

Outra novidade é o "arquivo de anúncios". Ao acessar a página de uma marca ou empresa, o usuário poderá ver uma seção com todos os anúncios ativos na rede social. No caso de propaganda política, as páginas que postarem esse tipo de anúncio terão de manter um histórico dos posts patrocinados nos últimos quatro anos, quanto foi gasto com todos eles, o público atingido e qual era o público-alvo, em detalhes. Por fim, o Facebook divulgou que vai construir ferramentas de inteligência artificial que serão treinadas para identificar "propagandas disfarçadas", ou seja, posts que citam política sem seguir as novas regras.

Nesta terça-feira (31), Facebook, Twitter e Google irão depor no Congresso norte-americano sobre como as plataformas foram utilizadas pela Rússia ou outros atores estrangeiros na campanha eleitoral. Os comitês de Inteligência do Senado e da Câmara e o Comitê Judiciário do Senado realizarão audiências como parte de suas investigações sobre a interferência russa na eleição.

Impulsionamentos

No Brasil, o jornal O Globo mostrou no início do mês que a permissão de propaganda política paga na internet por meio de “impulsionamento de conteúdos” na campanha de 2018 vai provocar uma revolução no marketing das campanhas, ao mesmo tempo que abrirá um campo de incertezas para a Justiça Eleitoral. Com a aprovação das novas regras eleitorais para 2018, as campanhas poderão “impulsionar” conteúdos publicitários nas redes sociais e nos mecanismos de busca, desde que essas postagens patrocinadas sejam financiadas por partidos, coligações ou o próprio candidato. A lei só permite propaganda positiva da candidatura, impedindo ataques aos adversários.

 Leia mais em:

https://olhardigital.com.br/noticia/facebook-vai-tornar-publicos-detalhes-sobre-propagandas-postadas-na-rede-social/71994

https://exame.abril.com.br/tecnologia/facebook-muda-regras-de-publicidade-antes-de-depoimento-nos-eua/

https://oglobo.globo.com/sociedade/tecnologia/facebook-anuncia-criacao-de-ferramenta-para-tornar-postagem-patrocinada-mais-transparente-22002412