SIP denuncia "conduta de perseguição" contra a imprensa nas Américas Divulgação/SIP

SIP denuncia "conduta de perseguição" contra a imprensa nas Américas

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) alertou para o fato de que todo o hemisfério americano estabeleceu um padrão de agressão, especialmente vindos do crime organizado e de autoridades e governos, que afeta o exercício do jornalismo. A denúncia foi feita durante a Assembleia Geral da entidade, de 27 a 30 de outubro, em Utah, nos Estados Unidos.

A violência contra os jornalistas e os meios de comunicação, a proliferação de leis e projetos que tentam controlar o jornalismo, ao lado da pressão das autoridades e da falta de acesso a informações oficiais, são os principais obstáculos para a o exercício da liberdade de expressão no continente Americano, de acordo com relatórios divulgados por cada país durante a 73ª Assembleia da SIP.

Em 2017, um padrão de agressão contra a imprensa parece ter sido consolidado. Esse comportamento de perseguição e assédio manifesta-se em agressões físicas que, em alguns casos, chegam ao assassinato ou tentativa de assassinato. Até agora, existem 18 comunicadores vítimas de crime este ano.

Os assassinatos são a expressão máxima da brutalidade que a censura pode alcançar. Mas a perseguição dos profissionais da comunicação não termina com o crime, uma vez que os autores, em quase todos os casos, continuam em absoluta impunidade.

O assédio da imprensa também se manifesta nas leis e projetos discutidos em vários países do continente. Em muitos deles, as autoridades procuram interferir no conteúdo editorial, como na Venezuela, El Salvador ou Colômbia, onde uma decisão do Tribunal Constitucional ordena aos meios de comunicação que atualizem oficialmente as informações que publicam na Internet.

Por outro lado, os ataques contra a mídia apelando para o termo fake news ou notícias falsas parecem ganhar cada vez mais espaço na região. Por trás desse ataque, há uma clara intenção de desacreditar o trabalho dos jornalistas, especialmente quando se trata de notas ou relatórios que não são favoráveis.

Juntamente com este panorama de enfraquecimento da liberdade de imprensa, alguns eventos de conotação positiva são relatados, como a sentença contra os autores materiais de assassinatos de jornalistas na Colômbia e na Guatemala, um clima de maior respeito pela liberdade de expressão no Equador e a quase certa possibilidade de uma melhor proteção do segredo da fonte no Canadá.  As informações por país e as conclusões estão disponíveis aqui.