EUA cada vez mais preocupados com impactos e custos da desinformação no duopólio digital

EUA cada vez mais preocupados com impactos e custos da desinformação no duopólio digital

O mais recente, e reincidente, escândalo de exposição de marcas a conteúdo inapropriado na rede social de vídeos do Google, o YouTube, não apenas alarmou e afugentou anunciantes, mas também arranhou ainda mais a credibilidade da mídia programática promovida pelo duopólio digital, que inclui também o Facebook. O fato de nenhuma das duas empresas mostrar eficácia no combate a esse tipo de escândalo ou apresentar soluções palpáveis para as notícias falsas, incluindo a forma como foram manipuladas pelos russos nas eleições do ano passado nos Estados Unidos, os políticos norte-americanos estão ficando cada vez mais preocupados com o impacto disso tudo na sociedade norte-americana, incluindo os custos financeiros, informa o jornal britânico Financial Times.

Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, por exemplo, afirmou este mês que não poupará investimentos em segurança mesmo que o custo disso afete os lucros da companhia. Como das vezes anteriores, todas sem resultados eficientes, as promessas são reluzentes. Zuckerberg alardeou que planeja contratar 10 mil funcionários extras, dobrando o número de pessoas que trabalham em segurança, e investir em tecnologias para melhor detectar bots e postagens maliciosas. Brian Wieser, analista da Pivotal Research, disse que, desta vez, por conta dos fracassos anteriores, os investidores podem não acreditar no Facebook.

O Google, que também está no centro das atenções das campanhas de desinformação, não chegou a comunicar possíveis quedas em lucro. Mas o novo escândalo no YouTube certamente resulta em perdas, semelhantes as causadas pelo boicote de anunciantes em março passado, por conta da associação de suas marcas a vídeos extremistas. Desta vez, conforme o também britânico Times, o site de compartilhamento de vídeos do Google, que por sua vez pertence a Alphabet, apresentava vídeos com imagens de crianças pouco vestidas ao lado de anúncios e repletas de comentários feitos por supostos pedófilos. Um vídeo de uma pré-adolescente em uma camisola atraiu 6,5 milhões de visualizações.

O Times relatou que o YouTube permitiu que imagens sexualizadas de crianças fossem buscadas facilmente ​​e não cumpriu a promessa de monitorar e controlar seus serviços para proteger as crianças. Em resposta, um porta-voz do YouTube disse: “Não deveria haver nenhum anúncio vinculado a esse conteúdo e estamos trabalhando com urgência para corrigir isso”.

Mondelez, Mars, a rede de supermercados Lidl, Diageo e outras companhias decidiram retirar suas publicidades do YouTube depois da revelação. “Estamos chocados e horrorizados ao ver que nossos anúncios apareceram ao lado de conteúdo abusivo e inapropriado”, disse a Mars em comunicado. “Tomamos a decisão de suspender imediatamente todas as nossas propagandas online no YouTube e no Google globalmente (…) Até termos certeza de que as medidas apropriadas estão em vigor não anunciaremos no YouTube e no Google”.

Johanna Wright, vice-presidente de gerenciamento de produtos do YouTube, prometeu uma aplicação mais rígida das diretrizes de usuários, removendo anúncios inadequados, bloqueando comentários inapropriados em vídeos com menores e fornecendo orientação para criadores de conteúdo familiar.

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https://www.ft.com/content/e91f401c-cf05-11e7-9dbb-291a884dd8c6

https://www.ft.com/content/9e594d76-d0f8-11e7-9dbb-291a884dd8c6

http://fortune.com/2017/11/26/advertisers-flee-youtube-child-exploitation/?utm_source=fortune.com&utm_medium=email&utm_campaign=data-sheet&utm_content=2017112713pm