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SIP alerta: violência à imprensa no Brasil é rotineira; polícia é despreparada; e Justiça, lenta e ineficaz

A repressão promovida por diferentes governos à liberdade de imprensa sob a alegação de que combatem as notícias falsas ganhou recentemente um inusitado aliado, o governo dos Estados Unidos, comandado pelo presidente Donald Trump. O alerta é da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que atua na defesa da liberdade de imprensa e na proteção aos jornalistas. No entendimento da entidade, os políticos considerados “predadores” viram nos constantes ataques de Trump a jornalistas e veículos de comunicação uma inesperada oportunidade para justificar sua atrocidades à livre expressão.

Os casos de violência contra jornalistas no Brasil são “rotineiros”, segundo relatório preliminar da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), divulgado no último sábado (1), no segundo dia da reunião de meio ano da entidade, encerrada nesta segunda-feira (3), em Antigua, na Guatemala. O texto, com base acompanhamento realizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), indica que os ataques a jornalistas, apesar de exercidos “em múltiplas formas” e vindos de diversos setores, têm os órgãos policiais como principais protagonistas.

“A violência é realizada em grande medida pela polícia, que deturpa suas funções e demonstra total falta de preparo para cumprir as suas atividades durante a cobertura de imprensa”, diz o documento, que registra a existência de outros agressores, como integrantes de milícias ou do tráfico. A SIP também denunciou a impunidade dos crimes contra comunicadores, destacando incapacidade policial nas investigações e denúncias dos casos, bem como a ação “lenta e ineficaz” da Justiça.

O relatório cita levantamento da ANJ, segundo o qual entre outubro de 2016 e fevereiro desta nos houve 14 casos de agressões físicas, quatro de ameaças, dois de intimidação, três de vandalismo e cinco de ofensas. O ataque à sede da Rede Gazeta de Vitória, no Espírito Santo, na madrugada do dia 9 de fevereiro, é um dos exemplos de intolerância em relação à liberdade de imprensa mencionados no documento.

A SIP enfatizou ainda a importância de o Brasil mobilizar-se para evitar decisões judiciais inconstitucionais que ferem a liberdade de imprensa. No relatório, a entidade citou como caso emblemático dessa distorção a decisão de um juiz de Brasília que, em primeira instância, proibiu os jornais Folha de S.Paulo e O Globo de publicarem informações sobre extorsão sofrida pela primeira-dama do país, Marcela Temer. A ação que resultou na sentença, derrubada posteriormente, foi movida pelo governo federal.

Leia mais em:

 http://www.sipiapa.org/notas/1211282-brasil

http://www.dw.com/pt-br/viol%C3%AAncia-contra-jornalista-no-brasil-%C3%A9-rotineira-alerta-sip/a-38257157

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