“Somos caçadores de notícias falsas”, diz Marta Gleich, de ZH; jornal tem selo que identifica boato esclarecido

O Grupo RBS, do Rio Grande do Sul lançou na última sexta-feira (7) uma série de ações contra notícias falsas e em defesa das práticas jornalísticas que certificam as informações levadas às audiências dos veículos da empresa. O selo editorial “Notícia falsa na rede” passa agora a identificar, em Zero Hora (ZH), Rádio Gaúcha e RBS TV, todo boato esclarecido pela reportagem, ajudando a impedir a propagação de informações incorretas. Ao longo do mês de abril, informou a empresa, vídeos sustentarão o conceito, confrontando o que é inverdade e o que é notícia real. A campanha culmina com o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorado em 3 de maio.

Antes do lançamento dessas iniciativas, a diretora de redação Zero Hora (ZH) e Jornais do grupo gaúcho, Marta Gleich, concedeu entrevista ao Jornal ANJ online sobre os desafios do jornalismo em geral e da equipe do Grupo RBS, especificamente, diante da propagação de mentiras na web. “Somos ‘caçadores’ de notícias falsas, com o objetivo de esclarecer com rapidez o assunto, antes que mais pessoas sejam prejudicadas ao receber a informação falsa. Qualquer editoria ou jornalista poderá fazer a verificação do assunto, mas temos um jornalista em especial que está gravando vídeos e sendo a marca dessa iniciativa, o repórter e produtor Tiago Boff”, comentou Marta.

Leia abaixo trechos da entrevista da jornalista, organizados por tópicos, feita por e-mail antes da divulgação do selo editorial “Notícia falsa na rede”:

Fact-checking

Zero Hora há anos investe em certificação, ou seja, esclarecer ao público o que é verdade e mentira, o que são boatos, ou na checagem da veracidade do que dizem políticos em época de campanha, por exemplo. Neste link, pode-se ver uma iniciativa de 2014, chamada “É isso mesmo?”, em que se checava a veracidade de declarações durante a campanha eleitoral. Mais recentemente, lançamos a seção “ZH Esclarece”, com o mesmo objetivo. Os conteúdos podem ser conferidos no link abaixo. O objetivo é esclarecer com agilidade boatos que se espalham especialmente pelas redes sociais. Para dar ainda mais visibilidade para o papel de certificadores dos veículos do Grupo RBS, vamos lançar em breve uma marca (“Notícia falsa na rede”) que estará presente em rádio, TV e jornais na linha de esclarecer boatos, mentiras e outras informações duvidosas que se espalham pelas redes.

Medição da eficácia do fact-checking

Depende muito do formato e de onde publicamos. Nos meios digitais, é mais fácil medir, usando critérios de audiência, engajamento, participação do leitor via comentários, por exemplo – que são critérios já usados pela redação para mensurar eficácia e sucesso. Hoje é muito mais fácil saber se nosso serviço prestado realmente esclarece e impacta a vida dos nossos leitores. A resposta da audiência é quase sempre instantânea e a avaliação do tom da participação nos ajuda muito. Fazemos isso hoje com nossa equipe de atendimento ao Leitor, Redes Sociais e até call center. Atenção ao feedback do leitor é fundamental.

Medição da eficácia do fact-checking

Depende muito do formato e de onde publicamos. Nos meios digitais, é mais fácil medir, usando critérios de audiência, engajamento, participação do leitor via comentários, por exemplo – que são critérios já usados pela redação para mensurar eficácia e sucesso. Hoje é muito mais fácil saber se nosso serviço prestado realmente esclarece e impacta a vida dos nossos leitores. A resposta da audiência é quase sempre instantânea e a avaliação do tom da participação nos ajuda muito. Fazemos isso hoje com nossa equipe de atendimento ao Leitor, Redes Sociais e até call center. Atenção ao feedback do leitor é fundamental.

Relevância do jornalismo mostrada à audiência

Neste momento de proliferação espantosa de notícias falsas ou irresponsáveis, os chamados veículos “tradicionais”, que preferimos chamar de “essenciais”, têm uma enorme oportunidade de cumprir o seu papel: informar a população com notícias checadas, corretas, de qualidade. Cresce a nossa responsabilidade neste ambiente.

É responsabilidade dos veículos essenciais alfabetizar o público sobre a relevância do jornalismo profissional. Fazemos isso basicamente por meio de reportagens sobre este tema, ampliando a publicação de artigos sobre o assunto, criando uma coluna sobre isso (de Sabrina Passos) e por meio da carta da editora de Zero Hora, publicada todo fim de semana.

Seguem alguns links, como exemplo desse trabalho:

http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/sabrina-passos/ultimas-noticias/
http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/sabrina-passos/noticia/2017/02/um-ativo-chamado-credibilidade-9710488.html
http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/sabrina-passos/noticia/2017/01/projeto-jornalismo-para-quem-9460201.html
http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/sabrina-passos/noticia/2017/01/bola-de-cristal-9305375.html
http://zh.clicrbs.com.br/rs/opiniao/colunistas/sabrina-passos/noticia/2017/02/jornalismo-de-qualidade-custa-caro-9710382.html

 

Relacionamento com o leitor

Nosso relacionamento com o leitor é superintenso, em todas as plataformas. Temos seções especiais no papel, com participação e cartas, e no digital ela acontece por meio de comentários nas redes sociais, mensagens via WhatsApp e por e-mail. Nossa redação é muito acessível e o leitor consegue se comunicar conosco muito facilmente. No caso dos nossos produtos de fact-checking, o céu é o limite. Já fizemos vídeo explicando, enviamos áudio com entrevista de esclarecimento para nossa base de leitores cadastrados via WhatsApp e, claro, publicamos texto no site, apps, jornal impresso, quase sempre com envio de push/notificação, principalmente para casos quando o esclarecimento merece urgência. O tratamento dado é muito parecido com qualquer outro conteúdo, com diferencial de empacotamento, para que o leitor identifique rapidamente do que se trata o assunto (com selo e vinheta, uma cartola ou título diferencial, por exemplo).