Clarín é o primeiro jornal da Argentina a lançar assinatura digital

O jornal Clarín converteu-se na semana passada no primeiro diário argentino a implantar o modelo de assinatura para sua edição digital, a exemplo do que já fazem diversos veículos em outros países, inclusive no Brasil. O sistema de paywall adotado pelo Clarín valoriza sua produção jornalística, por meio do conteúdo pago exclusivo, mas também oferece informação gratuita de qualidade para os seus atuais 30,2 milhões de usuários mensais (mais de 400 milhões de páginas vistas), como uma porta de entrada para uma futura assinatura.

Os usuários do Clarín.com podem ler livremente dez textos por mês. Superada esta margem, é possível ter acesso a mais 30 reportagens ou artigos mediante um cadastro. Já as assinaturas são oferecidas em dois modelos. O primeiro permite acesso a conteúdos do jornal, incluindo a versão digital da edição impressa, por meio de todos os dispositivos. A segunda opção, também para qualquer equipamento, tem as mesmas vantagens da primeira mas agrega a edição digitalizada da revista Ñ e o clube de benefícios 365.

Ao explicar a novidade, o diretor de redação do Clarín, Ricardo Kirschbaum destacou que a explosão digital obriga os veículos de comunicação a experimentar e a mudar constantemente. “Longe ficaram os dias em que este jornal chegava uma vez por dia às suas mãos. E que os jornalistas começam a trabalhar depois do meio-dia. A linha editorial é a mesma. Mas a equipe de redação se adaptou ao formato e aos tempos digitais”, disse. “Hoje a redação funciona 24 horas. A produção e o fluxo de notícias e análises são contínuos e abrangem todas as plataformas.”

Além disso, frisou Kirschbaum, com a maior relevância dos produtos digitais nasceram novos gêneros e formatos. “Nós apostamos pelo celular e pelos vídeos e pela divulgação de conteúdos através das redes sociais. E pelo menu completo elaborado com os critérios de qualidade e de independência de sempre. Veracidade e credibilidade”, salientou, lembrando que o Clarín deixou de ser uma redação de um meio para ser uma redação multimídia.

Agora, continuou o jornalista, a exemplo do que o jornal fez em meados de 1990, quando foi o primeiro do país a começar a experimentar a narrativa digital, o Clarín volta a ser pioneiro. “Acreditamos que muitos vão nos acompanhar em mais um passo desse desenvolvimento”, afirmou Kirschbaum. Quase 80% dos jornais com tiragem superior a 50.000 exemplares nos Estados Unidos, ressaltou, fizeram este movimento. No Brasil, lembrou, os jornais de maior circulação tomaram esse caminho: Folha de S.Paulo, Zero Hora, O Globo e O Estado de S.Paulo.

Kirschbaum enfatizou que fazer jornalismo de qualidade é um investimento e que a receita com publicidade digital não é suficiente para cobrir os custos. “O Clarín sempre dependeu de seus leitores. E continuará dependendo deles, de vocês. Para oferecer o jornalismo que vocês escolheram”, concluiu.

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