Vídeos falsos produzidos com tecnologia acessível parecem reais e agravam poder destrutivo das notícias falsas

Vídeos falsos produzidos com tecnologia acessível parecem reais e agravam poder destrutivo das notícias falsas

As notícias falsas em um mundo de alta tecnologia e comunicação online são perigosas inimigas à democracia e, conforme têm alertado os especialistas, aprimoram-se em alta velocidade, exigindo o mesmo de seu principal antídoto: o jornalismo. A mais recente faceta das fake news são os vídeos fraudulentos que chegam muito perto à realidade. Depois de produzidos a partir de ferramentas baratas, mas de tecnologia sofisticada (inteligência artificial, por exemplo) e acessível, espalham-se nas redes sociais.

A ex-primeira dama dos Estados Unidos Michelle Obama, um dos alvos preferidos dos mentirosos, por exemplo, foi vítima de um desses vídeos, relatou o The New York Times. No audiovisual, que surgiu no fórum online Reddit, os autores da farsa usaram o programa FakeApp e sobrepuseram o rosto de Michelle no corpo de uma atriz pornô em um strip. “Quem não prestar atenção até pode achar que é mesmo Michelle tirando a roupa”, escreveu o repórter Kevin Roose, do jornal norte-americano, em reportagem publicada no Brasil nesta quinta-feira (8) pelo diário O Estado de S.Paulo.

Ouvido pelo The New York Times,  Hao Li, professor assistente de computação da University of Southern California (USC), mostrou-se alarmado com algo para o qual parece não haver saída. “Para mim, os vídeos falsos são a próxima forma de comunicação”, disse. “Eu me preocupo com o fato de que as pessoas vão usá-lo para chantagear os outros. É preciso explicar às pessoas que isso pode acontecer”.

O que há de novo na era digital, diz o jornalista e professor de mídia digital, da Walter Cronkite School of Journalism and Mass Communication, da Arizona State University, é o advento de ferramentas que tornam as fotos, o áudio e o vídeo fraudulentos fáceis de serem criados como se fossem verdadeiros, colocando palavras que não foram ditas na boca das pessoas ou mostrando-as fazendo coisas que jamais fariam.

Em entrevista publicada pelo site da Arizona State University, o estudioso ressaltou que, diante do fenômeno, a formação midiática para que as pessoas possam separar a verdade da mentira ganha ainda mais importância. Além disso, a verificação de fatos terá de ser aprimorada para investigar além do que é mostrado nos vídeos.

Na mesma entrevista, Eric Newton, jornalista, professor e chefe de inovação da Walter Cronkite School, advertiu que, sem tecnologia avançada de detecção de fraudes, o vídeo falso que facilmente convence as pessoas de que é real vai se tornar comum no fluxo de notícias do mundo. “A menos que tenhamos descoberto o que fazer, teremos problemas. À medida que o poder da inteligência artificial aumenta, os arquivos de áudio e vídeo falsificados se tornarão cada vez mais difíceis de reconhecer. Com o tempo, as pessoas (incluindo os jornalistas) simplesmente não poderão discernir um vídeo falso de um real”

Leia mais em:

https://asunow.asu.edu/20180301-solutions-fake-videos-digital-age-tools-technology

http://link.estadao.com.br/noticias/cultura-digital,depois-das-fake-news-comecam-a-surgir-os-videos-falsos,70002218025