Maioria dos franceses diz que, no combate a fake news, jornalismo é mais eficiente do que legislação

Maioria dos franceses diz que, no combate a fake news, jornalismo é mais eficiente do que legislação

A maior parte dos franceses acredita que o jornalismo é fundamental para a democracia e, ao lado de uma educação midiática, forma uma eficiente frente de batalha às notícias falsas, sem a necessidade de uma legislação específica contra falsidades na internet. É o que constata na mais recente pesquisa da empresa de análises Viavoice, segundo a qual 92% dos entrevistados dizem que o jornalismo é útil e 84% acreditam que a atividade jornalística é essencial em uma democracia. Além disso, 61% entendem ser prioridade da imprensa a verificação de informações falsas, rumores e desinformação.

Perguntados sobre o projeto de lei do presidente Emmanuel Macron contra notícias falsas, 70% dos franceses consideram "normal" que as autoridades estejam preocupadas com o problema, mas 71% disseram acreditar que seria melhor desenvolver a educação midiática em vez de legislar sobre esse tema. Ao mesmo tempo, 67% responderam que cabe ao jornalismo verificar os fatos, enquanto autoridades e justiça não têm necessariamente os meios para dizer se uma informação é verdadeira ou falsa. Além disso, 49% concordam que a proposta de lei "representa um risco à liberdade de imprensa e à livre expressão".

O levantamento, feito em parceria com France Televisions, France Media Monde, Le Journal du Dimanche e Radio France, foi realizado de 12 a 15 de fevereiro junto a 1.008 pessoas.

A lei de Macron

O projeto de lei proposto por Macron, informou a Folha de S.Paulo, dá a juízes o poder de retirar do ar sites ou contas de redes sociais que contenham notícias consideradas falsas em um prazo de 48 horas como medida de urgência durante eleições presidenciais, legislativas e europeias. O magistrado poderá ser acionado pelo equivalente francês do Ministério Público ou por "qualquer pessoa que tenha o interesse de agir" contra a difusão fake news.  

O texto determina ainda que as redes sociais, as plataformas e os prestadores de serviços de internet tem o "dever de cooperação" com o poder público e ofereçam aos usuários um mecanismo para denunciar informações falsas.  Eles terão de "informar prontamente as autoridades públicas competentes de qualquer atividade de divulgação da informação falsa que lhes seja relatada". Durante um período eleitoral, todas as plataformas devem também prestar informações "claras, justas e transparentes" sobre conteúdos de notícias que foram apresentadas por remuneração. Terão de dizer a identidade do pagador ou o patrocinador e o valor pago.  

Leia mais em:

http://www.cbnews.fr/etudes/seulement-40-des-francais-pensent-qu-une-information-de-qualite-nest-pas-gratuite-a1041178?utm_source=newsletter&utm_medium=email

http://www.cbnews.fr/digital/fake-news-les-pistes-de-travail-de-la-commissaire-europeenne-au-numerique-a1041168?utm_source=newsletter&utm_medium=email

https://www.franceinter.fr/info/les-francais-considerent-le-metier-de-journaliste-utile

http://www.lemonde.fr/les-decodeurs/article/2018/03/12/ce-que-4-annees-de-decodeurs-nous-ont-appris_5269670_4355770.html?xtmc=journalisme&xtcr=9

http://www.lefigaro.fr/flash-actu/2018/03/11/97001-20180311FILWWW00022-plus-de-9-francais-sur-10-jugent-le-journalisme-utile-sondage.php