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Eli Pariser, autor do livro O Filtro Invisível, defende o conteúdo viral diante do duopólio Google-Facebook

Em 2011, o empreendedor digital e escritor Eli Pariser expôs, com uma clareza até então inédita, as artimanhas dos algoritmos que personalizam conteúdo, especialmente no Facebook e no Google, e são capazes de isolar as pessoas em bolhas virtuais de pensamentos únicos, sem acesso à divergência. Os perigos dessa personalização foram relatados por Pariser no livro O Filtro Invisível – O que a Internet está Escondendo de Você (editado no Brasil pela Zahar) e, de lá para cá, as bolhas ganharam mais força, passaram a influenciar as agendas políticas, sociais e econômicas e, também, constituíram-se em um dos pilares do fenômeno das notícias falsas na internet. Agora, depois do alerta que fez há quase seis anos, o visionário empreendedor sustenta que esse ambiente digital está consolidado e, para deixá-lo mais saudável, é preciso de ferramentas semelhantes às usadas pelo duopólio Google-Facebook – cujo modelo de negócio não encontra hoje alternativa –, entre elas os algoritmos e o entretenimento como e engajador de audiência, além de um jornalismo cada vez mais qualificado, formando o chamado conteúdo viral, principal produto do site liderado por Pariser, o Upworthy.

“Existe esse processo de filtro, de uma enorme quantidade de informações que podem chegar ao leitor, que são selecionadas por esses algoritmos”, reforçou Pariser em recente entrevista ao jornal El País. “O que mudou é que toda essa criação tomou consciência de si mesmo. Agora mesmo, meios de comunicação como o seu criam notícias e as distribuem com a expressa intenção de entrar nessa bolha e chegar até os leitores”, disse o escritor e empreendedor em resposta a uma pergunta do repórter David Alandete sobre as mudanças ocorridas entre 2011 e 2017. Pariser enfatizou ao El País que o entretenimento é a chave dos algoritmos. “[Os sistemas automatizados] Não discriminam em função da ideologia, e sim pelo que dá mais cliques. E o entretenimento dá mais cliques do que as notícias factuais. Ao final, as bolhas nas quais nos relacionamos têm mais a ver com nossos gostos do que com a ideologia”, afirmou, sem deixar de reconhecer que também é verdade que os gostos podem determinar a ideologia.

As notícias falsas, advertiu o escritor em outra entrevista, desta vez ao El Mundo, são de fato um problema. “Mas, se pudéssemos eliminá-las numa canetada só não teríamos um ecossistema informativo funcionando bem (…)”, argumentou. Novamente, Pariser destacou a importância do jornalismo. “Necessitamos anticorpos mais fortes e um sistema imune mais saudável, ou seja, mais notícias verdadeiras e melhor distribuídas, de maneira que possam chegar a mais gente e combater as que são mentira”.

Ao mesmo tempo, Pariser insiste sobre o papel fundamental do conteúdo de entretenimento, recurso muito usado por ele e seus parceiros no site Upworthy. “Nossa intenção era fazer das notícias algo divertido e atrativo, além de informativas. Devemos admitir: hoje em dia as notícias competem com o entretenimento, e dever ser atrativas”, frisou o escritor ao El País. O Upworthy, garante ele, não perdeu valor jornalístico ao procurar ser um meio viral. “Temos uma equipe dedicada a comprovar dados de forma muito rigorosa”, comentou Pariser. “Na realidade, o que é isso que chamamos de meios virais? São meios de notícias que as pessoas estão dispostas a compartilhar com seus amigos. Creio que não é uma má aspiração na realidade, porque se você consegue, está fazendo um favor as pessoas”, argumenta.

Leia mais em:

http://cultura.elpais.com/cultura/2017/06/19/actualidad/1497900552_320878.html

http://www.elmundo.es/television/2017/06/19/594813f0e5fdea6a5a8b4593.html

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