Diretor do El País critica partido espanhol Podemos por excluir veículos de coletiva e tentar desqualificar a imprensa

O diretor do jornal El País, Antonio Caño, alertou nesta terça-feira (21) para o que ele considera ser a maior ameaça da atualidade às democracias: o controle do poder por meio da “negação e manipulação dos fatos” ou a criação de relatos que insuflam “os preconceitos e o sectarismo”. Esse método, disse em palestra na Universidad del País Vasco (UPV), foi utilizado no Brexit, é prática recorrente do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e também está sendo aplicado pelo “populismo e o nacionalismo mais fanático e fantasioso” na Espanha. Nesse caso, Caño referiu-se ao recente veto imposto pelo jovem partido espanhol Podemos ao El País e a outros cinco meios de comunicação. A legenda impediu que os jornalistas desses veículos participassem de coletiva que promoveu com a imprensa, em Madri.

“Infelizmente não é a primeira vez que o Podemos faz algo deste calibre, nem é a primeira vez que agem assim contra o nosso jornal. De fato, [o Podemos] foi denunciado pela Associação da Imprensa de Madrid [APM, na sigla em espanhol] por sua intimidação aos jornalistas”,  enfatizou Caño. Ele afirmou ainda estar “cansado” de “insultos, calúnias e ameaças constantes da sua rede de valentões no Twitter contra nossos jornalistas”. O diretor El País disse as iniciativas do Podemos não vão silenciar o jornal. “Conhecemos nossa responsabilidade, nossa obrigação e assumimos essas pressões como parte de nosso trabalho”, salientou, referindo-se à intenção do Podemos de “anular a função crítica” do jornal.

A APM manifestou como “deplorável” a decisão do partido espanhol de excluir jornalistas de uma coletiva. A atitude também foi criticada pela Federação de Associações da Imprensa Espanhola (Fape, em espanhol). “Rejeição absoluta”, disse a presidente da entidade, Elsa González, ao jornal El Mundo. “Um partido político está a serviço da cidadania e deveria ser exemplo de transparência como uma instituição pública”. No encontro que promoveu com a imprensa, o Podemos impediu a participação de profissionais do grupo Prisa, como El País e Cadena Ser; o El Periódico; e veículos digitais como OK Diario, Voz Pópuli e El Independiente.

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http://politica.elpais.com/politica/2017/06/20/actualidad/1497984070_231533.html

http://politica.elpais.com/politica/2017/06/19/actualidad/1497857430_307098.html

http://www.elmundo.es/television/2017/06/20/594980a322601d11638b4665.html