Respostas do Facebook ao Congresso dos EUA evitam detalhamentos e recomendam leitura de normas de uso

Respostas do Facebook ao Congresso dos EUA evitam detalhamentos e recomendam leitura de normas de uso

O conjunto de respostas que o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, havia prometido ao Congresso dos Estados Unidos nos seus dois dias de depoimento a parlamentares, em abril, evita detalhamentos das práticas da empresa. Além disso, boa parte das respostas – divulgadas na segunda-feira (11) – repete o que está no manual de regras comunitárias da rede social. A atitude, avaliou o The New York Times, em reportagem publicada no Brasil pela Folha de S.Paulo, pode reforçar os argumentos de alguns dos críticos do Facebook.

Em um documento de 454 páginas divulgado por dois comitês do Senado (o de Comércio e o Judiciário), o Facebook ofereceu informações a mais de duas mil perguntas dos legisladores, para tópicos que incluem suas normas para o uso de dados de usuários, privacidade e segurança.

Em dezenas de respostas sobre como opera e como lida com seu conteúdo online, a empresa recomendou que os congressistas procurassem suas normas de uso e padrões comunitários. Em 224 casos, o Facebook recomendou que os legisladores lessem respostas a perguntas anteriores. "Ver resposta à questão 2", escreveu a rede social em resposta a sete questões apresentadas pelo senador Ted Cruz, republicano do Texas, que havia perguntado se a empresa bloqueava conteúdo postado por vozes conservadoras.

Em muitas das respostas, a empresa buscou assegurar aos legisladores que estava ativamente buscando outras companhias que possam ter lucrado com o uso de dados pessoais de seus usuários. Em resposta a uma pergunta do senador John Thune, republicano do Dakota do Sul, por exemplo, a empresa disse que estava em meio a uma investigação sobre todos os aplicativos que tenham recolhido grande volume de dados do Facebook, e que 200 deles já haviam sido suspensos.

Outra resposta atendeu pedido da senadora Amy Klobuchar, informou o jornal O Estado de S.Paulo, que perguntou sobre as recentes informações de violação de dados de usuários. Klobuchar queria saber se a empresa apoiara uma legislação que exige a notificação de usuários em até 72 h depois que foi constatada a violação. A rede social disse que é aberta a tais exigências, mas que a situação é complicada porque nos Estados Unidos não há uma autoridade central, como existe na União Europeia.

O Facebook também abordou questões sobre como coleta dados dos usuários e informações de não usuários. A empresa informou que recebe informações sobre usuários de sites que usam uma área de comentários do Facebook incorporada. A rede social disse que não tem como identificar se esses usuários têm ou não uma conta no Facebook e garante que não cria um perfil sobre eles.

Já com os usuários que possuem contas na rede social, a coleta de informações acontece por meio de curtidas, compartilhamentos e comentários em sites de terceiros. Essas informações permitem que a empresa compile uma grande quantidade de informações sobre os hábitos de navegação na internet dessas pessoas.

A empresa disse que cada site é livre para fornecer informações adicionais sobre a atividade de seus usuários. É assim que o Facebook sabe se, por exemplo, uma pessoa que usou a conta da rede social para pular o cadastro em um e-coomerce concluiu ou não determinada compra.

A rede social afirmou ainda que também usa uma tecnologia que coleta informações do comportamento dos seus usuários depois que clicam em um anúncio do Facebook. Esses dados são repassados para os anunciantes. "Esse é um recurso padrão da internet, e a maioria dos sites e aplicativos compartilha essas mesmas informações com vários terceiros diferentes sempre que as pessoas visitam seu site ou aplicativo", afirmou a empresa, citando o Google como outra empresa com práticas similares de coleta de dados.

A rede social disse que também usa dados de usuário garantidos por terceiros para segmentar os anúncios oferecidos na plataforma. Entre as informações que são usadas estão as ações e compras online e off-line das pessoas. Algumas empresas já se atentaram para isso. A Apple anunciou na semana passada que forneceria novos recursos de privacidade em seu navegador, o Safari. A novidade bloquearia o tipo de coleta de dados que o Facebook faz com terceiros.

Leia mais em:

https://link.estadao.com.br/noticias/empresas,facebook-divulga-respostas-sobre-privacidade-enviadas-ao-congresso-americano,70002347770

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/06/em-resposta-a-congressistas-facebook-recomenda-leitura-de-normas-de-uso.shtml