SIP condena censura indireta contra jornais da Nicarágua, cujos insumos para impressão estão retidos pelo governo Reprodução

SIP condena censura indireta contra jornais da Nicarágua, cujos insumos para impressão estão retidos pelo governo

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou a censura econômica imposta pelo governo da Nicarágua contra os jornais La Prensa e El Nuevo Diario, ao reter a entrega de tinta, papel e outros suprimentos de impressão aos dois veículos. A entidade instou as autoridades nicaraguenses a explicar de forma transparente as razões que impedem a entrega dos insumos. "A censura indireta é mecanismo costumeiro do regime do presidente Daniel Ortega, exatamente igual ao utilizado pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro”, disse a presidente da SIP, María Elvira Domínguez, diretora do diário El País de Cali, da Colômbia.

La Prensa, criado há 92 anos, decidiu imprimir 30% de suas páginas em preto e branco e reduzir a quantidade de páginas de suas edições, segundo disseram executivos do meio de comunicação à EFE, relatou o Centro Knight. Jaime Chamorro Cardenal, presidente e diretor do La Prensa, disse que apesar de ter completado todos os procedimentos legais junto à alfândega para liberar o papel e demais insumos de impressão, as autoridades não os liberaram e não deram qualquer justificativa.

O El Nuevo Diario, por sua vez, tem seu carregamento de papel retido na alfândega há uma semana, segundo publicou o jornal em seu site. Agora só distribui sua edição impressa de segunda à sexta-feira, informou.

“Estado de terror”

O aumento da repressão imposta por Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, começa a fragilizar a própria base governista. Na semana passada, em um duro golpe ao regime, o juiz sandinista da Corte Suprema de Justiça (CSJ) da Nicarágua Rafael Solís renunciou, de modo “irrevogável”, a seu cargo. Em carta à presidência e à Assembleia Nacional, ele qual acusa o Ortega de impor um “estado de terror” no país e de inventar “acusações absurdas” contra opositores.

No documento, o juiz nega com veemência a alegação do governo de que tenha ocorrido uma tentativa de golpe de Estado no país, e afirma que Ortega leva o país na direção de uma “guerra civil”. Considerado uma das pessoas de confiança e membro do círculo de poder de Ortega, Solís, que integrou o tribunal máximo do país durante mais de 10 anos, completaria seu mandato dentro de três meses, e teria o direito de se reeleger, se o governo assim quisesse. O magistrado também se desligou da Frente Sandinista de Liberação Nacional (FSLN), na qual ele afirma ter atuado por 43 anos.

Leia mais em:

https://www.sipiapa.org/notas/1212958-sip-condena-censura-administrativa-contra-diarios-nicaragua

https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-20505-jornais-nicaraguenses-mudam-de-formato-devido-falta-de-suprimentos-de-impressao-que-es

https://oglobo.globo.com/mundo/juiz-sandinista-do-supremo-da-nicaragua-renuncia-acusa-ortega-de-impor-estado-de-terror-23363602