Jornalista crítica ao presidente Duterte é presa nas Filipinas sob acusação de difamação Reprodução

Jornalista crítica ao presidente Duterte é presa nas Filipinas sob acusação de difamação

A jornalista Maria Ressa, uma das principais vozes críticas do presidente filipino, Rodrigo Duterte, foi presa nesta quarta-feira (13), depois que o veículo que preside, o site Rappler, foi acusado de "difamação cibernética". Agentes do Escritório Nacional de Investigação das Filipinas (ENI) entraram na redação do portal por volta de 17h (horário local) para cumprir o mandado e levaram a jornalista para a sede da instituição. Nesta quinta-feira (14), ela deixou a prisão após o pagamento de fiança.

As acusações, segundo o Rappler, remontam a um artigo publicado em 2012, pelo qual Maria Ressa havia sido denunciada na última semana. Na ocasião, a Anistia Internacional criticou a denúncia como um "ataque legal absurdo". O caso acende o alerta para a repressão de jornalistas independentes e críticos ao governo nas Filipinas.

Na redação, os agentes exigiram que colegas de Ressa parassem de filmar e tirar fotos da ação. "Vamos atrás de vocês também", disse um deles, que não se identificou aos repórteres durante o cumprimento do mandado. A prisão foi ordenada em 12 de fevereiro pela juíza Rainelda Estacio-Montesa, da Corte Regional do ramo 46 de Manila.

"Nós não estamos intimidados. Nenhum caso judicial, propaganda ou mentira podem silenciar os jornalistas filipinos", destacou Ressa, sobre a prisão. "Estas acrobacias legais mostram o quão longe o governo vai para silenciar jornalistas, incluindo a mesquinharia de me obrigar a passar a noite na cadeia."

Cofundadora do Rappler, a jornalista Natashya Gutiérrez destacou no Twitter que a colega foi presa por acusações ligadas a um trabalho de maio de 2012. A lei de cibercrime pela qual seria acusada foi aprovada em setembro do mesmo ano. "Desde quando as leis podem ser aplicadas retroativamente?", questionou.

A divisão de cibercrime do ENI arquivou esta queixa de difamação cibernética no começo de 2018, segundo Natashya, por falta de base e pelo prazo de um ano de prescrição ter expirado. Pouco depois, o ENI "mudou de ideia" e retomou o caso.

O trabalho de Ressa rendeu-lhe o reconhecimento internacional de militantes dos direitos humanos e fez com que a jornalista fosse eleita uma das Pessoas do Ano da revista Time, dividindo o título de 2018 com figuras como o saudita Jamal Khashoggi, em uma homenagem aos jornalistas que sofrem com a repressão à imprensa. Também no ano passado ela foi homenageada Prêmios Internacionais Knight de Jornalismo,

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https://www.washingtonpost.com/world/asia_pacific/top-philippine-journalist-and-time-person-of-the-year-arrested-on-libel-charges/2019/02/13/f05baf54-2f86-11e9-8ad3-9a5b113ecd3c_story.html?noredirect=on&utm_term=.d3b6fafb5d94

https://oglobo.globo.com/mundo/eleita-pessoa-do-ano-em-2018-jornalista-critica-de-duterte-presa-sob-acusacao-de-difamacao-nas-filipinas-23449053

https://www.bbc.com/news/world-asia-47225217