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CPJ condena assédio online a jornalista que revelou ordens de maior letalidade do exército da Colômbia, colocando civis em risco Reprodução

CPJ condena assédio online a jornalista que revelou ordens de maior letalidade do exército da Colômbia, colocando civis em risco

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) instou congressistas colombianos a encerrar a campanha que fazem de assédio online a Nicholas Casey, chefe do escritório dos Andes do jornal The New York Times e integrante da Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP) da Colômbia. O jornalista deixou o país no domingo (19) por ter sido alvo do que chamou de “acusações falsas” do governo, após publicar uma reportagem crítica às Forças Armadas colombianas. 

“Congressistas têm o direito de questionar qualquer reportagem, mas comentários perigosos e irresponsáveis como os feitos contra Nicholas Casey têm o potencial de colocar em perigo sua segurança e desencorajar reportagens sobre questões delicadas na Colômbia", disse o diretor de Programas do CPJ, Carlos Martínez de la Serna."Em um ambiente de perigos, como o enfrentado pela imprensa na Colômbia, é de extrema importância que jornalistas e organizações defensoras da liberdade de imprensa como a FLIP não sejam atacadas por legisladores simplesmente por fazerem seu trabalho". 

O caso teve início no último sábado (18), quando a senadora María Fernanda Cabal, do partido Centro Democrático, o mesmo do presidente Iván Duque, postou em sua página no Twitter uma foto do jornalista acusando-o de ligação com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e de ser pago para escrever "contra o Exército colombiano". Outros membros da legenda fizeram comentários na postagem, acrescentando acusações ao profissional. 

A reportagem de Casey, “As ordem de letalidade do Exército colombiano põem em risco os civis, segundo oficiais”, publicada no mesmo sábado, informa que o chefe do Exército, Sacasio Martínez, “ordenou suas tropas a dobrarem o número de criminosos e militantes que matam, capturam ou forçam a se render em batalhas – e possivelmente aceitar um número maior de mortes de civis no processo”.

Depois da veiculação da reportagem, o ministro da Defesa, Guillermo Botero, anunciou uma investigação criminal para saber se a normativa do Exército fere os direitos humanos de acordo com a lei internacional. Mas disse que a reportagem estava “cheia de inconsistências”.  O The New York Times respondeu à senadora. O jornal informou que não toma partido em conflitos políticos em nenhum lugar do mundo e que faz seu trabalho com imparcialidade.

Leia mais em:

https://cpj.org/es/2019/05/nicholas-casey-periodista-del-new-york-times-aband.php#more

https://www.nytimes.com/es/2019/05/18/colombia-ejercito-falsos-positivos/?action=click&contentCollection=america-latina®ion=rank&module=package&version=highlights&contentPlacement=2&pgtype=collection