CPJ saúda sentença da CIDH que responsabiliza a Colômbia por assassinato de jornalista em 1998 Reprodução

CPJ saúda sentença da CIDH que responsabiliza a Colômbia por assassinato de jornalista em 1998

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) saudou a decisão histórica da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) que responsabilizou o Estado colombiano pelo assassinato do jornalista Nelson Carvajal Carvajal, ocorrido em 1998. A decisão, anunciada na última quarta-feira (6), diz que a Colômbia é culpada de não garantir o direito à liberdade de expressão do comunicador, bem como de não oferecer garantias jurídicas para investigar o crime nem mesmo proteger a família de Carvajal.

A Corte IDH ordenou que as autoridades continuem investigando a morte de Carvajal e organizem um evento público no qual altos funcionários aceitem e reconheçam a responsabilidade do Estado. O tribunal considerou o governo culpado de tratamento negligente à família de Carvajal e disse que não investigou as ameaças de morte contra nove dos parentes do jornalista, forçados a fugir do país. Determinou ainda que o governo garanta condições para o retorno seguro dos parentes de Carvajal que vivem atualmente no exterior, que lhes pague indenização e forneça acesso a aconselhamento.

"A decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos é um passo importante em direção à justiça há muito esperada para Nelson Carvajal Carvajal. A Colômbia deve cumprir as exigências do tribunal", disse em Nova York o diretor de Programas do CPJ, Carlos Martínez de la Serna. "Ao responsabilizar diretamente a Colômbia por não investigar o assassinato e proteger a família do jornalista, a Corte está sinalizando que a impunidade não será mais tolerada".

Carvajal foi professor em meio período e jornalista, e apresentou vários programas de notícias na Radio Sur, em Pitalito, uma cidade no sudoeste da Colômbia. Noticiava frequentemente escândalos de corrupção do governo local e lavagem de dinheiro por narcotraficantes. Foi baleado várias vezes e morreu em 16 de abril de 1998. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão irmão do tribunal, determinou em 2015 que Carvajal foi morto em retaliação por seu trabalho como jornalista, uma conclusão que o tribunal ratificou em sua sentença.

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