Helio Gama Neto

PODER360 - 12/08/2020

SABRINA FREIRE

A Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República) defende a pulverização dos investimentos do governo federal em publicidade. Para a secretaria, o governo deve destinar as verbas a mais veículos, espalhados pelo país, em vez de empregar os recursos apenas em poucas empresas com grande audiência.

A estratégia de comunicação, que já tem sido colocada em uso, foi apresentada em seminário promovido pelo TCU (Tribunal de Contas da União) para discutir critérios para alocação dos recursos em campanhas publicitárias do governo federal. Eis a íntegra (10 MB).

Em exposição, a Secom demonstrou que, com mais anúncios em mais veículos, é possível atingir mais pessoas gastando a quantia hipotética de R$ 3,6 milhões. Para alcançar o mesmo público por meio de anúncios nas emissoras da TV Globo, também hipoteticamente, seriam necessários R$ 33 milhões.

No exemplo hipotético, acima, o investimento de R$ 3,6 milhões atinge o país inteiro; para ter o mesmo efeito nas emissoras do Grupo Globo seriam necessários R$ 33 milhões

Participaram do seminário representantes da secretaria; o ministro das Comunicações, Fábio Faria; os ministros do TCU José Múcio Monteiro, Vital do Rêgo e Bruno Dantas; o diretor de Redação do Poder360, Fernando Rodrigues; e representantes da Abap (Associação Brasileira de Agências de Publicidade), da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), da ANJ (Associação Nacional de Jornais), da IAB Brasil (Interactive Advertising Bureau), do Cecap (Centro de Altos Estudos em Controle e Administração Pública), do Cenp (Conselho Executivo das Normas-Padrão), e da Fenapro (Federação Nacional das Agências de Propaganda).

O debate decorre de uma representação apresentada ao TCU com base em reportagem do UOL, de abril de 2019, que mostra aumento de 63% nos gastos com publicidade no 1º trimestre de 2019 em relação ao mesmo período de 2018. Passaram de R$ 44,5 a R$ 75,5 milhões no período.

A ação argumenta que houve alteração no padrão de distribuição entre os principais veículos de comunicação: Globo, Record e SBT. Também aponta falta de critérios técnicos e impessoais na distribuição de recursos entre essas emissoras.

O secretário especial de Comunicação Social da Presidência, Samy Liberman, disse que durante a distribuição da publicidade na campanha da Previdência, a Globo informou que não fazia merchandising sobre a proposta do governo, por isso recebeu menos recursos no 1º trimestre de 2019.

PROXIMIDADE DO TCU
Em sua exposição, o ministro Fábio Faria defendeu que, antes da veiculação de uma publicidade, haja uma espécie de acordo entre governo, o TCU e as emissoras contratadas para que não se tenha, posteriormente, problemas relacionamentos à suspensão das propagandas.

“Eu fico muito preocupado quando tem uma iniciativa do ministério e depois vem 1 questionamento do TCU. Por que não fazermos antes uma espécie de acordo envolvendo todas as emissoras, o TCU, o Ministério das Comunicações e a Secom e chegarmos a uma unidade para nós podermos trabalhar com tranquilidade, serenidade e transparência?”, sugeriu.

TRANSPARÊNCIA
No seminário, o diretor de Redação do Poder360, Fernando Rodrigues, sugeriu a criação de uma plataforma ou mecanismo que forneça à população acesso a dados relacionados aos gastos do governo com publicidade.

O jornalista lembrou que até 1990 a sociedade brasileira não tinha informação transparente sobre qual era o destino da verba publicitária do governo federal. Isso só foi possível com a criação do IAP (Instituto para Acompanhamento da Publicidade), em 1999. Essa entidade era responsável por coletar e organizar os dados sobre gastos com publicidade da União, das administrações direta e indireta.

Em 2017, no entanto, o então presidente Michel Temer (MDB) decidiu encerrar os serviços do IAP sob o argumento de que os gastos com o instituto eram altos –custava cerca de R$ 1,4 milhão por ano (pouco mais de R$ 100 mil por mês).

Antes do encerramento do IAP, o Poder360 produziu uma série de reportagens escrutinando os gastos federais com propaganda. Leia aqui todas as reportagens publicadas sobre o tema.

TCU X GOOGLE
No debate, os ministros do Tribunal de Contas defenderam que o governo federal não deve realizar investimentos públicos com a veiculação de publicidade por meio dos serviços do Google Adsense –serviço de exibição de anúncios oferecido pelo Google– enquanto for identificada inadequação da empresa em relação às leis brasileiras.

O entendimento apresentado pelos ministros do TCU é de que o algoritmo do Google faz com que anúncios do governo sejam exibidos em sites e redes sociais de conteúdos impróprios que permitem, por exemplo, a disseminação de fake news e discursos de ódio.

O ministro Bruno Dantas afirmou que considera que o Google Adsense, “infelizmente, está sendo útil para a monetização de sites impróprios e redes sociais impróprias”. Segundo ele, se esse modelo de negócio e os algoritmos do Google não estiverem de acordo com o que estabelece a Constituição, o TCU não permitirá que o governo contrate o serviço para exibição de publicidade.

“O princípio da legalidade para as empresas, para os cidadãos, é amplo, mas quando falamos do princípio da legalidade dirigido ao administrador público e à medida que o Google decide fazer negócio com o Estado brasileiro, ele deve se sujeitar agora não mais ao princípio da legalidade direcionado à população geral, mas ao princípio da legalidade que está no artigo 37 da Constituição, o da legalidade estrita, segundo o qual o administrador e aquele que contrata com a administração pública somente pode fazer aquilo que está previsto nas leis brasileiras. Portanto, se o modelo de negócio e o algoritmo do Google não é compatível com a Constituição brasileira, o Estado brasileiro não pode contratar o Google AdSense para as suas campanhas publicitárias”, disse o ministro, que é relator do processo que determinou a suspensão da verba de publicidade do Banco do Brasil, que tinha o orçamento de R$ 118 milhões para campanha na internet em 2020.

O ministro Vital do Rêgo, que organizou e comandou o encontro, sugeriu que, para a contratação do Google Adsense, a Secom da Presidência deveria criar 1 núcleo de monitoramento da blacklist –lista de locais em que anúncios não devem ser veiculados– com o auxílio, eventualmente, de algum parceiro ou o próprio TCU para ir classificando, à medida em que forem identificados esses sites indesejáveis. Dessa forma, argumentou Vital do Rêgo, seria possível estabelecer onde a propaganda do governo não poderia ser exibida.

“Eu sempre acredito que o bem vence o mal. Eu tenho certeza que deve ser mais fácil fazer o levantamento das blacklists do que das whitelists porque as blacklists são os [sites] nocivos à população e devem ser a minoria”, disse Vital do Rêgo.

O ministro das Comunicações, Fábio Faria, defendeu 1 maior debate sobre o tema, incluindo espaço para a Google explicar melhor seus serviços de anúncio. Vital do Rêgo disse que a empresa foi convidada para o debate, mas não participou.

“Eu quero propor também que nós possamos chamar o Google para 1 debate nas próximas semanas para entender isso, essa ferramenta do Google, porque tem alguns sites que oferecem maior monetização, por isso eles são escolhidos [para exibição de anúncios]. Nós precisamos entender profundamente esse tema até para que não haja 1 questionamento posterior e se paralise as informações e verbas do governo. É importante que cada 1 assuma sua responsabilidade e possamos corrigir para que possamos caminhar em 1 comum acordo”, disse.

Fábio Faria também defendeu a importância da propaganda na internet e disse que é necessária uma separação sobre o que os anúncios do governo rendem a sites terceiros e o que o governo deseja de fato ao veicular uma informação.

“Eu queria que vocês colocassem no radar de vocês essa discussão [sobre veiculação de temas importantes para sociedade], que quando tiver algo excepcional, quando houver parte disso do governo, que não saia do orçamento da Secom, do orçamento do governo federal, que seja obrigado a fornecer algum tipo de informação à população, que esse vídeo, por exemplo, seja feito em comum acordo, que se trata de propaganda do governo, ou explicando 1 tema [à população]. A gente tem que buscar o bom senso. Mas é muito ruim por parte do Ministério ficar todo mês tendo que conversar com presidente de banco e de outros órgãos buscando explicar a eles a importância da comunicação também na TV aberta, porque nós temos hoje 79% da população que têm internet, então esses 20% restantes são 43 milhões de brasileiros que não têm internet. Temos que fazer com que todas as informações do governo cheguem na ponta. Essa é a grande preocupação que tenho”, disse.

Atualmente, o governo vem sendo questionado sobre a forma de distribuição de anúncios. De acordo com relatório da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News, elaborado por consultores legislativos, de 6 de junho a 13 de julho de 2019, anúncios do governo federal foram exibidos 2.065.479 vezes em canais com “conteúdo inadequado”, incluindo sites de jogo do bicho, de conteúdo sexual e com conteúdos falsos.

Na sua apresentação, a Secom demonstrou que qualquer anunciante fica exposto a ter sua propaganda publicada eventualmente em sites indesejados, pois o algoritmo do Google às vezes deixa escapar esse tipo de veiculação.

 

Slide da apresentação da Secom, no TCU, que mostra que até anúncios de livros do jornal “Folha de S.Paulo” acabaram publicados em sites acusados de difundir fake newsreprodução

OUTRO LADO
Em nota, o Google disse estar aberto a discutir com o governo e com o TCU. Eis a íntegra do posicionamento:

“O Tribunal de Contas da União realizou um debate em que se discutiu, entre outros assuntos, o uso de publicidade digital pelo Governo Federal. Gostaríamos de esclarecer, em primeiro lugar, que o Google respeita e opera em conformidade com a legislação brasileira.

Nossas plataformas de publicidade digital são utilizadas com sucesso no mundo todo, por anunciantes de todos os tipos e tamanhos, inclusive do setor público. No Brasil, nossas ferramentas possibilitam que instituições públicas alcancem dezenas de milhões de brasileiros, com eficiência e economicidade. Oferecemos controles robustos para que os anunciantes, tanto públicos quanto privados, possam escolher como e onde desejam exibir seus anúncios.

Estamos abertos e dispostos a participar deste importante debate sobre os benefícios da publicidade digital e os usos relevantes para cada perfil de anunciante, sempre pautados por critérios técnicos e comprometidos com a transparência.

Para nós, é uma prioridade preservar a confiança no ambiente de publicidade digital e contribuir para a manutenção de uma internet livre e aberta.”

THE GUARDIAN - 11/08/2020

Alex Hern , editor de tecnologia

Como os bancos na crise financeira de 2008, o Facebook e outros gigantes da tecnologia são “grandes demais para falir”, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Oxford que pede novas regulamentações para proteger os usuários e a sociedade no caso de um possível colapso.

Em artigo publicado no jornal Internet Policy Review na terça-feira (11), Carl Öhman e Nikita Aggarwal argumentam que é improvável que as maiores empresas de tecnologia do mundo saiam do mercado repentinamente - mas o mundo não está preparado para o que aconteceria se isso acontecesse.

“O fim de uma plataforma global de comunicação online como o Facebook pode ter consequências sociais e econômicas catastróficas para inúmeras comunidades que dependem da plataforma diariamente”, escreveram Öhman e Aggarwal, “bem como para os usuários cujos dados pessoais o Facebook coleta e lojas. ”

Leia aqui o texto na íntegra.

AXIOS - 12/08/2020

Sara Fischer

O The New York Times está nos estágios iniciais de pesquisa de uma assinatura do consumidor para seu site de recomendação de produtos Wirecutter, de acordo com uma descrição de trabalho postada no LinkedIn.

Por que é importante: uma parte central da estratégia de assinatura do The Times é fornecer serviços para pessoas fora das notícias. Mais de 1/3 das novas assinaturas líquidas do The Times no último trimestre vieram de serviços fora de seu principal produto de notícias, como gastronomia/culinária e palavras-cruzadas. 

O The Times comprou o Wirecutter em 2016 por mais de US$ 30 milhões. Até o momento, a maior parte da receita do site vem do marketing de afiliados de varejistas como Amazon e Walmart, quando uma pessoa clica no site.

Leia aqui o texto na íntegra.

DIGIDAY - 12/08/2020

MAX WILLENS E LUCINDA SOUTHERN

Editores há muito reclamam que plataformas como Google e Amazon unem seus serviços e produtos de maneiras anticompetitivas. Duas mudanças que estão sendo implementadas nos sistemas operacionais da Apple estão fazendo com que os editores também incluam o fabricante do dispositivo nesse grupo.

As versões mais recentes do sistema operacional móvel da Apple, iOS e MacOS Big Sur - seu sistema operacional de desktop - forçam os clientes do Apple News + a usar mais o serviço. De acordo com as mudanças, os assinantes do Apple News + que estão navegando na web usando o Safari serão redirecionados para o aplicativo Apple News +, em vez de para o site da editora Apple New + participante.

Fontes em cinco publicações diferentes participantes do Apple News + disseram que a Apple não informou que essas mudanças estavam chegando. Um chamou de "totalmente antiético, se não realmente ilegal". Um segundo, que observou que a Apple é normalmente mais comunicativa, descreveu-a como "um pouco obscura".

Leia aqui o texto na íntegra.



PORTAL DOS JORNALISTAS - 12/08/2020

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), por sua Regional ABCD, repudiou a ação do prefeito de São Bernardo do Campo Orlando Morando, que intimidou Raphael Rocha e Luis Carlos Fernandes, respectivamente, editor de Política e chargista do Diário do Grande ABC, por publicarem matéria sobre a investigação da empresa Morando “por suspeita de tráfico de influência e ocultação de patrimônio”. O prefeito entrou com uma ação no âmbito da Justiça Criminal.

José Eduardo de Souza, secretário do Interior do Sindicato, afirma na nota que “a liberdade de expressão e a liberdade do exercício da profissão são a máxima para o exercício do bom jornalismo. O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo repudia toda e qualquer atitude de cerceamento da profissão dos jornalistas e se coloca à disposição dos trabalhadores do Diário do Grande ABC diante desta tentativa de intimidação do prefeito Orlando Morando”.

Página 1 de 2380