Helio Gama Neto

FOLHA DE S.PAULO - 12/08/2020

Cristina Tardáguila
Diretora-adjunta da International Fact-Checking Network

Natália Leal
Diretora de Conteúdo da Agência Lupa

Patricia Blanco
Presidente-executiva do Instituto Palavra Aberta

Desde abril, o Brasil costura uma lei para fazer frente à desinformação e evitar os danos que ela provoca. Mas o texto que o Senado enviou à Câmara dos Deputados aborda a educação midiática —ponto crucial dessa batalha— em apenas poucas linhas e de forma genérica.

No dia 5 de agosto, especialistas no assunto levaram aos parlamentares que lideram o debate sobre o "projeto de lei das fake news" cinco propostas para que a educação midiática entre no texto e ganhe o devido tamanho nessa discussão.

O primeiro ponto é o reconhecimento tácito de que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) já prevê o desenvolvimento do pensamento crítico para interpretação de mensagens midiáticas.

Entre as competências gerais estabelecidas pela BNCC, está ajudar alunos a "argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável". Por isso, para quem faz educação midiática no Brasil, é imprescindível que o projeto de lei 2.630 fale sobre esse tema, sugerindo uma grande ampliação.

Mas, para que isso aconteça, é inevitável que se formem professores, indivíduos capazes de ensinar educação midiática. Assim, o segundo ponto apresentado aos deputados foi a ideia de que cursos universitários passem a oferecer cadeiras de "media literacy".

O terceiro ponto proposto foi a inclusão de um estímulo para que escolas e universidades também criem projetos de educação midiática. Se eles forem interdisciplinares, melhor. É hora de o Brasil —e os governantes— entenderem que, na luta contra a desinformação, não há outra saída a não ser erguer cidadãos plenos. Pessoas capazes de, por si só, separarem o que é opinião de notícia factual. Que consigam refletir sobre autoria, contexto e pertinência de um texto. Que saibam usar ferramentas básicas para analisar fotos e/ou vídeos. E mais: que saibam —basicamente— como funcionam as redes sociais, seus algoritmos e as possibilidades de segmentação de conteúdo.

O quarto ponto debatido no encontro foi o envolvimento das próprias redes sociais no financiamento de projetos de educação midiática. Sugeriu-se a criação de uma contribuição obrigatória a ser feita pelas plataformas e empresas de tecnologia a projetos de alfabetização midiática. Também falou-se sobre o estabelecimento de uma regra que preveja que todos os valores investidos no impulsionamento de conteúdos falsos ou odiosos venham a ser revertidos a projetos de "media literacy".

Por último, os especialistas em educação midiática solicitaram que, se constituído o conselho de transparência previsto no PL 2630, ele contenha membros aptos a discutir e traçar planos claros para "media literacy". O punitivismo deve ficar em segundo plano. Um eventual conselho voltado para educação seria mais proveitoso.

Foi consenso, portanto, que a inserção da educação midiática no debate sobre a desinformação é urgente e inevitável. E o assunto deve ser visto como política pública, independente de partidos ou mandatos específicos. Deve ser encarado como um aprendizado contínuo, com grande poder transformador, mas precisa ser iniciado imediatamente.

Quarta, 12 Agosto 2020 10:18

A comunicação salva vidas

FOLHA DE S.PAULO - 12/08/2020

João Doria
Governador de São Paulo (PSDB), ex-prefeito de São Paulo (jan.2017 a abr.2018) e empresário

Em todos os países do mundo, a pandemia está comprovando que a informação de qualidade, apurada pelos jornalistas profissionais e transmitida pelos veículos de comunicação é decisiva para salvar vidas. A notícia isenta e objetiva tornou-se o mais forte elemento de ligação entre a ciência e a sociedade, transformando comportamentos, serviços e negócios. Governos transparentes e imprensa livre são contraponto ao negacionismo científico e às fake news.

A imprensa livre demonstra o quanto é relevante e necessária à sociedade, sobretudo numa crise gravíssima de saúde pública. Jornais, revistas, rádios, canais de televisão e portais da internet têm sido decisivos para esclarecer a necessidade do isolamento social. Para explicar a correta forma de fazer a higienização das mãos e de como usar a máscara de maneira eficaz. E também para demonstrar os protocolos de segurança adotados em cada atividade econômica.

A imprensa independente e democrática fiscaliza gastos e ações dos governos. E também cobra o comportamento responsável de autoridades, empresas e cidadãos. Ações e resultados dos países afetados pela Covid-19 são acompanhados diariamente, indicando exemplos de sucesso a serem seguidos. Os jornalistas foram atrás das melhores fontes técnicas e científicas para repassar, de forma didática e elucidativa, os tratamentos eficientes, os medicamentos realmente eficazes e as mais avançadas pesquisas e vacinas. E também para dizer o que não deve ser feito no combate ao coronavírus.

A cada dia, jornalistas e profissionais da indústria de comunicação se expõem aos riscos de contaminação, no incansável trabalho de pesquisa, apuração, reportagem, edição, análise, apresentação e esclarecimento das questões relativas ao coronavírus e suas consequências.

Neste dramático momento em que o governo de São Paulo enfrenta o maior desafio da sua história, acredito que a crise do coronavírus exige informação confiável e transparência na gestão pública. Assim, estabelecemos, desde o início da quarentena, o procedimento de transparência absoluta. E também a realização de entrevistas coletivas diárias para informação de todas as ações do governo. Em 27 de julho, completamos cem coletivas de imprensa realizadas.

Em quatro meses, jornalistas fizeram as perguntas que desejaram, entre secretários de Estado, prefeitos, médicos, cientistas, empresários e especialistas que participaram das coletivas. Cobraram medidas e resultados, questionaram ações e tiraram dúvidas. Esclareceram assuntos científicos, econômicos, políticos, sociais, administrativos, culturais e esportivos.

Governos transparentes ficaram fortalecidos na pandemia. Eles são o contraponto ao negacionismo científico e às fake news das redes sociais.

No Brasil, essa diferença se mostrou particularmente alarmante. Por ignorância, interesse político, má-fé ou ódios partidários e pessoais, as redes sociais estão servindo a todo tipo de desinformação.

Fake news foram usadas para vender soluções mágicas, pílulas milagrosas, promover aglomerações, incitar rupturas, ameaçar pessoas, intimidar governadores, desunir o país, divulgar dados mentirosos e sabotar o trabalho, dedicado e sério, dos profissionais da saúde.

São tantos e tão graves os absurdos publicados nas redes sociais que as plataformas de internet foram obrigadas a retirar publicações, inclusive de altas autoridades do Brasil. A epidemia revelou quem espalha o vírus do ódio e das mentiras. E muitos agora respondem na Justiça pelos crimes cometidos.

Contra a politização do vírus, o trabalho responsável dos profissionais da comunicação tornou-se um antídoto, apoiado em informações científicas e decisões transparentes. No governo de São Paulo, seguiremos na defesa da imprensa livre e democrática. E combateremos o ódio e as mentiras dos extremistas e virtuais. O jornalismo e os veículos de comunicação estão ajudando o Brasil a salvar vidas.

A Associação Nacional dos Ministros e Conselheiros Substitutos dos Tribunais de Contas (Audicon), com o apoio e a parceria da Associação Nacional de Jornais (ANJ), realiza nos dias 31 de agosto, 8 de setembro e 14 setembro o seminário gratuito “Contas Públicas e Temas Sensíveis”, voltado para jornalistas e estudantes de jornalismo.

Cada um dos três encontros virtuais terá duração de 1h30, compostos de 3 mini palestras com duração de 15 minutos e mais 40 minutos de interação. O primeiro, no dia 31 de agosto, abordará o tema “Contas Públicas da Saúde Durante Covid-19”. Contará com a participação do ministro substituto do TCU, Marcos Bemquerer Costa e do presidente da ANJ, Marcelo Rech, com palestras da procuradora do Ministério Público de Contas do Distrito Federal, Cláudia Fernanda, do auditor de controle externo e mestre em direito Ismar Viana e do conselheiro substituto do TCE-MT Luiz Henrique Lima.

Os dois encontros seguintes, dos dias 8 e 14 de setembro, terão os respectivos temas, “Obras Públicas Paralisadas” e “Fiscalização do Uso de Verbas e Cargos Parlamentares”. A participação nos três encontros habilita o participante à certificação digital de frequência.

INSCRIÇÕES:

Enviar nome completo, ocupação (citar meio de comunicação, ou veículo para o qual colabora no caso de freelancer, ou sendo estudante, citar a instituição de ensino), e endereço de e-mail para o WhatsApp 11 981750821. Em 24hs o comprovante de inscrição será disponibilizado e todos os inscritos serão avisados da agenda e procedimentos relativos ao evento por este canal.

O seminário é uma iniciativa da campanha “Contas Públicas São da Nossa Conta”, idealizada pela Audicon, que tem participação de diversas entidades envolvidas com o controle externo e o controle social. O objetivo da iniciativa é aproximar o cidadão e o jornalista ao entendimento e acompanhamento do uso dos recursos públicos e sua respectiva fiscalização.

Estão abertas as inscrições para o 15º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).  O evento, que neste ano será em um ambiente inteiramente virtual, ocorre entre os dias 11 e 12 de setembro.

Com o formato virtual, espera-se ampliar o número de participantes de várias regiões do país. Algumas palestras serão gravadas, outras transmitidas ao vivo, e algumas serão gravadas, mas com sessão de perguntas e respostas ao vivo após o streaming.

Marcelo Träsel, presidente de Abraji, destaca a importância do congresso para a reflexão sobre o jornalismo neste momento de pandemia, crise política e desastre climático iminente.

“O congresso de 2020 foi um dos mais desafiadores para a organização, tanto pela mudança para a plataforma online, quanto pela quantidade de temas urgentes a serem abordados. Estamos convictos de que as atividades previstas vão ajudar os jornalistas brasileiros a navegar um pouco melhor por esse período de incertezas. Também estamos animados com a possibilidade de o Congresso virtual permitir a participação de muitos mais estudantes e repórteres de todo o Brasil e até mesmo de outros países de língua portuguesa.”

Inscrições gratuitas

Em razão das crises sanitária e econômica, haverá a possibilidade de inscrição gratuita, mas os participantes serão convidados a doar qualquer valor para fortalecer o trabalho da Abraji. O objetivo é garantir o acesso aos muitos jornalistas que foram demitidos ou tiveram a jornada reduzida.

Eventos paralelos

Realizado anualmente desde 2005, o Congresso da Abraji reuniu, em 2019, mais de 1.200 pessoas. Dois outros eventos paralelos fazem parte da programação: o 7º Seminário de Pesquisa (10.set.2020), que discute pesquisas acadêmicas sobre jornalismo investigativo; e o 2º Domingo de Dados (13.set.2020), maratona de cursos de jornalismo de dados. As inscrições para esses eventos paralelos, que contam com participantes internacionais, só serão abertas na próxima quinta-feira (13).

7º Seminário de Pesquisa

No 7º Seminário de Pesquisa, os pesquisadores selecionados apresentam seu trabalhos científicos, com a presença de uma mediadora. No 2º Domingo de Dados, o formato será de Cursos/Oficinas (treinamento prático, com uso de computador, às vezes com programas previamente instalados).

Convidados

Este ano estão confirmadas as participações de ao menos 15 convidados internacionais para os dois dias do congresso, como Nikole Hannah-Jones, repórter do New York Times especializada em cobrir questões raciais e que lançou o projeto 1619, iniciativa multimídia em que faz uma revisão da história da escravidão nos Estados Unidos.

Entre os palestrantes e debatedores confirmados estão Jason Stanley, autor de Como Funciona o Fascismo – A Política do “Nós” e “Eles”; Craig Silverman, do BuzzFeed do Canadá, um dos maiores especialistas em desinformação; Neena Kapur, especialista em doxing (exposição de dados pessoais na internet) do New York Times; Cécile Prieur, responsável pela equipe de inovação do Le Monde; Sally Lehrman, do Trust Project; Meera Selva, diretora do programa de bolsas do Reuters Institute for the Study of Journalism; e Jeff Jarvis, diretor do Tow-Knight Center for Entrepreneurial Journalism da City University of New York e autor de “O que o Google faria?".

A Abraji atendeu a pedidos dos associados e participantes de outros Congressos e ampliou a diversificação de veículos e regiões, dando destaque aos modelos colaborativos e especializados em temáticas próprias. As sessões também levaram em conta questões de raça e gênero. Entre os jornalistas que atuam em grandes veículos brasileiros estão Maiá Menezes, Sônia Bridi, Fernando Rodrigues, Flavia Lima, Renato Aroeira, Eugênio Bucci e Patricia Campos Mello.

Em 2020, a Abraji manteve os 5 eixos tradicionais do Congresso (trabalhos e jeitos de fazer; cenários e tendências; jornalismo sob ataque; aprendizado e teoria; e aprendizado e prática).

Eles estão inseridos em diferentes modelos: Palestra (exposição de apenas um convidado (a), seguida de perguntas feitas pelo mediador (a), Painel (exposição com convidados (as) que discutem o mesmo tema); Bastidores de Reportagem (quando profissionais discutem seus processos de apuração/edição) e Minicursos (sem a necessidade de prática no computador).

Clique aqui para se inscrever.

INMA - 10/08/2020

Dan Silver

Métricas são ferramentas poderosas para ajudar a equipe editorial a tomar as decisões que acabarão por atingir os objetivos de nossos negócios. No The Telegraph , isso significa atingir a meta de 1 milhão de assinantes pagantes entre 10 milhões de usuários registrados até o final de 2023.

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