Helio Gama Neto

Ao longo de um mandato de oito anos que começou em 2012, Mark Thompson, presidente e CEO da New York Times Company, supervisionou ampla transformação da instituição histórica em uma marca de notícias centrada no digital. Sob sua liderança, o número de leitores digitais do jornal saltou de meio milhão para quase 6 milhões de assinantes. A receita anual de assinaturas apenas digitais chegou a US$ 450 milhões no final de 2019. O diário tem agora 6,5 milhões de leitores pagantes, mais da metade do caminho em direção à meta de Thompson de dez milhões de assinantes até 2025.

A poucos dias de ser substituído por Meredith Kopit Levien, vice-presidente executiva e COO da Times Company, Thompson tem ressaltado que o jornalismo do The New York Times está mais valorizado do que nunca. Segundo ele, o jornal é, atualmente, lucrativo sete dias por semana, mesmo sem publicidade, e caminha em direção a uma etapa exclusivamente digital no futuro muito próximo. O executivo diz que ficaria "muito surpreso" se houvesse um jornal impresso do The New York Times daqui a 20 anos. 

“Escolhi este momento para renunciar porque alcançamos tudo o que me propus a fazer quando entrei para a Times Company, há oito anos -- e porque sei que, em Meredith, tenho uma sucessora notável que está pronta para liderar o empresa no próximo capítulo ”, disse Thompson, como parte do anúncio de transição. “Não há nada que me deixe mais orgulhoso do que o fato de que nossa redação é substancialmente maior hoje do que quando entrei. O mundo precisa do jornalismo do Times agora mais do que nunca.”

Leia aqui entrevista concedida ao site da McKinsey & Company e neste link reportagem de Alex Sherman, da CNBC.




O GLOBO - 11/08/2020

A oferta da Microsoft para comprar parte das operações do TikTok de sua proprietária chinesa ByteDance será um esforço tecnicamente complexo, que pode testar a paciência do governo do presidente Donald Trump, de acordo com fontes familiarizadas com o assunto.

Trump deu à Microsoft até 15 de setembro para fechar um acordo que proteja os dados pessoais de usuários americanos no aplicativo.

A Microsoft está negociando um período de transição que dará tempo de isolar o TikTok da tecnologia da ByteDance, informou a Reuters em 2 de agosto. Mas a ruptura que Trump e parlamentares dos EUA esperam pode levar um ano ou mais, disseram algumas fontes.

O TikTok é tecnicamente semelhante ao aplicativo Douyin, também da ByteDance e disponível apenas na China, e compartilha recursos técnicos com ele e outras propriedades da empresa, disseram pessoas próximas do assunto.

A ByteDance começou a trabalhar na separação tecnológica do TikTok há vários meses, em meio ao escrutínio do governo dos EUA, disse uma fonte.

Embora o código do aplicativo, que determina o design do TikTok, tenha sido separado do Douyin, o código do servidor ainda é parcialmente compartilhado entre outros produtos da ByteDance.

Saiba mais:  Entenda por que Trump proibiu negócios com Tik Tok e WeChat e como isso pode acirrar a guerra tecnológica EUA-China

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Qualquer dependência técnica ou operacional contínua dos negócios dos EUA na empresa chinesa após a venda gprovavelmente seria inaceitável para o Comitê de Investimento Estrangeiro dos Estados Unidos (CFIUS), disse Aimen Mir, ex-secretário adjunto do Tesouro responsável pelo CFIUS, agora sócio do escritório de advocacia Freshfields Bruckhaus Deringer.

Outro desafio que a Microsoft enfrenta é como vai transferir o que é visto como o ingrediente secreto do TikTok, o mecanismo de recomendação que mantém os usuários grudados em suas telas. Este algoritmo alimenta a seção "For You" do aplicativo, que recomenda o próximo vídeo a ser assistido com base em uma análise da atividade do usuário.

Contexto:Proibição de negócios de empresas americanas com chinesas acirra medo de espionagem

O TikTok usa algoritmos de recomendação independentes do Douyin, segundo duas fontes. Mas o que o faz funcionar é o conteúdo e as informações do usuário que são inseridos no algoritmo.

— Algoritmos não valem nada sem os dados — disse Jim DuBois, ex-diretor de informações da Microsoft e consultor de risco na Ignition Partners.

As negociações da Microsoft para a aquisição das operações do TikTok nos EUA, Canadá, Nova Zelândia e Austrália complicam a separação. Não apenas o TikTok teria que ser separado da ByteDance, como também teria que ser separado das outras regiões em que opera. Isso aumenta os desafios técnicos devido à quantidade de dados envolvidos.

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Processo:  TikTok ameaça ir à Justiça nos EUA contra proibição de Trump

— Segmentar os dados para esses países é uma tarefa significativa — afirmou DuBois.

O GLOBO RECOMENDA

CORREIO DO POVO - 11/08/2020

O jornalismo esportivo do Rio Grande do Sul perdeu, nesta segunda-feira, Edegar Pascoal Schmidt. Aos 70 anos, ele foi vítima de complicações da Covid-19. O profissional deixou as transmissões de rádio após sofrer um AVC, em 2012.

Schmidt nasceu em Cachoeira do Sul (RS) no dia 27 de fevereiro de 1950. Começou a carreira no Jornal do Povo, de sua cidade natal. Depois veio Porto Alegre, onde passou pelos jornais da Caldas Júnior: Correio do Povo, Folha Esportiva e Folha da Tarde.Posteriormente, foi contratado pela rádio Difusora, onde permaneceu por apenas sete dias, trocando-a pela Rádio Guaíba no final anos 1960. Começou como plantão de estúdio, passando depois a repórter e depois comentarista.

Também trabalhou na rádio e na TV Gaúcha e foi diretor de Esportes da TV Tarobá, afiliada da Rede Bandeirantes, em Cascavel (PR). Em seguida, voltou para Porto Alegre e comandou o Cadeira Cativa, programa esportivo que ele criou na TV2 Guaíba. Ele também criou e apresentou o programa Preliminar, o Som do Futebol, na década de 1970.

Atuou como comentarista e debatedor no programa Terceiro Tempo, na rádio Guaíba, até sofrer um AVC, quando aposentou-se e deixou o rádio.

PORTAL DOS JORNALISTAS - 11/08/2020

A revista Crusoé publicou em 7/8 uma reportagem revelando que o procurador-geral da República Augusto Aras pediu ao ministro do STF Alexandre de Moraes que investigasse comentários de leitores publicados na revista e no site O Antagonista, alegando que muitos deles ofendiam ministros do tribunal e pedindo que as publicações fossem responsabilizadas pelos comentários.

O pedido, despachado em março deste ano, tramita em sigilo no STF e é relatado por Alexandre de Moraes. Segundo o relator, o inquérito trata da “existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares, extrapolando a liberdade de expressão”

Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) escreveu que “considera a atitude do procurador-geral da República uma violação à liberdade de expressão e de imprensa, uma vez que busca implicar no inquérito um veículo jornalístico a partir das manifestações de seus leitores. Também lamenta a aceitação, pelo STF, de um pedido desarrazoado e contrário ao espírito do artigo 19º do Marco Civil da Internet, que prevê a responsabilização de provedores de aplicações por conteúdo gerado por terceiros somente no caso de recusa em acatar ordens judiciais”.

Paulo Jerônimo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa. declarou que a ABI “repudia a atitude do procurador-geral, que viola os princípios democráticos da liberdade de imprensa e da livre manifestação de pensamento. Ademais, os leitores são responsáveis pelas opiniões expressadas, não podendo os órgãos de imprensa serem constrangidos ou penalizados por publicá-las. (…) A ABI solidariza-se com as duas publicações e reitera que as autoridades públicas não podem usar suas funções para cercear as liberdades de expressão e de imprensa, asseguradas pela Constituição, nem perseguir órgãos de imprensa e seus profissionais por discordarem de suas posições editoriais”.

O GLOBO - 11/08/2020

Vinicius Sassine

O Ministério da Justiça e Segurança Pública se recusou a entregar ao Ministério Público Federal (MPF) uma cópia do dossiê elaborado para monitorar grupos antifascistas; disse que este assunto agora é de responsabilidade direta do ministro, André Mendonça; e afirmou que, por essa razão, só aceitará ser oficiado pelo procurador-geral da República, Augusto Aras. A posição da pasta está num documento de 11 páginas encaminhado à Procuradoria da República no Rio Grande do Sul, que instaurou um procedimento preliminar – chamado notícia de fato – para apurar as circunstâncias da elaboração do relatório de monitoramento de opositores do presidente Jair Bolsonaro.

O dossiê foi produzido pela Diretoria de Inteligência da Secretaria de Operações Integradas (Seopi) do Ministério da Justiça, na gestão de Mendonça. O relatório lista 579 servidores da área de segurança pública e professores que integram movimentos ou defendem ações contra o fascismo. Os dados dessas pessoas foram enviados a diferentes órgãos de persecução e investigação.

A Seopi integra o Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin). Com a chegada de Mendonça ao Ministério da Justiça, produziu o relatório de monitoramento de grupos antifascistas. Historicamente, o foco da secretaria é direcionado a ações de inteligência na área de segurança pública, combate ao crime em fronteiras e integração entre polícias.

A existência do relatório foi revelada pelo portal "Uol". O ministro da Justiça demitiu o diretor de Inteligência, coronel Gilson Libório de Oliveira Mendes, e determinou a abertura de uma sindicância para apurar as circunstâncias da elaboração do dossiê. Na semana passada, O GLOBO questionou o coronel de onde partiu a ordem para a confecção do relatório, se do ministro ou do secretário, ou se foi iniciativa dele próprio.

– Nem que sim, nem que não, nem talvez. Estou em silêncio – limitou-se a responder.

O procurador regional dos Direitos do Cidadão Enrico Rodrigues de Freitas, com atuação no Rio Grande do Sul, instaurou o procedimento preparatório de apuração, que pode resultar na abertura de um inquérito, e pediu informações ao Ministério da Justiça. Entre os pedidos feitos estava o de encaminhamento de uma cópia do relatório produzido pela Seopi. A pasta se negou a repassar o documento ao MPF. Na semana passada, o ministério também deixou de encaminhar uma cópia do dossiê ao Supremo Tribunal Federal (STF).

O parecer enviado ao MPF foi elaborado pela consultoria jurídica do ministério, formada por advogados da União. O documento foi encaminhado ao procurador da República pelo secretário substituto de Operações Integradas, Eduardo de Freitas da Silva.

"Não pairam dúvidas de que se revela equivocado o endereçamento da solicitação ao secretário de Operações Integradas, uma vez que, pela evolução dos acontecimentos, a temática foi alçada aos cuidados diretos do ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública", cita o parecer. O documento afirma que este fato "exige a adaptação e observância dos rigores procedimentais aplicáveis aos ministros de Estado, inclusive nas relações interinstitucionais".

Assim, conforme a alegação dos advogados do ministério, o secretário de Operações Integradas, o delegado da Polícia Civil do DF Jeferson Lisbôa Gimenes, deixa de ser o responsável "imediato" pela questão. "Não resta alternativa além da devolução do expediente ao procurador da República para que, pelas vias internas adequadas, encaminhe solicitação ao procurador-geral da República (Augusto Aras)." Ministros de Estado têm foro privilegiado junto ao STF. A equipe do ministro da Justiça, assim, pediu que o assunto passe a ser tratado no âmbito desse foro.

O parecer do Ministério da Justiça afirma que a Diretoria de Inteligência da Seopi é a "agência central" do subsistema de inteligência de segurança pública. E que os relatórios produzidos são sigilosos. "Diante da sensibilidade das informações marcadas por elevado grau de reserva, o legislador elaborou um minucioso sistema de controle externo sobre as atividades de inteligência. Não há margem jurídica para o fornecimento dos dados e documentos solicitados pelo procurador da República."