Helio Gama Neto

O ESTADO DE S.PAULO

A chinesa ByteDance, dona do TikTok, pretende abrir o capital do aplicativo nos Estados Unidos, sob o nome de TikTok Global, caso a Casa Branca aprove o acordo para manter a rede social operando no país. A informação é da agência de notícias Reuters, que cita fontes familiarizadas com o assunto.

A empresa chinesa está tentando uma parceria com a gigante de softwares Oracle para evitar o banimento do app de vídeos nos EUA. A listagem do TikTok Global seria em uma bolsa de valores nos Estados Unidos e poderia ocorrer em cerca de um ano, disseram as fontes – a Oracle teria uma fatia da empresa. A ByteDance e a Oracle não comentaram o tema.

Além da abertura de capital, a ByteDance está à procura de um novo presidente executivo para o TikTok, após Kevin Mayer deixar a empresa no mês passado. Um dos nomes considerados foi o de Kevin Systrom, fundador do Instagram, de acordo com o The New York Times.

As conversas, porém, foram iniciais e nenhuma decisão foi tomada até agora. De acordo com os termos do acordo para manter o TikTok nos EUA, a empresa será obrigada a ter um presidente executivo americano para mostrar sua separação corporativa da China. Negociações. Segundo uma reportagem da CNBC publicada ontem, Trump deve decidir sobre a proposta da ByteDance ainda nesta semana. É esperado que a Oracle fique com 20% de participação no TikTok. A varejista Walmart também negocia para ser incluída no acordo.

A ByteDance afirma que a China precisará aprovar o seu acordo proposto com a Oracle antes do negócio ser concluído.

O ESTADO DE S.PAULO

Breno Pires

O vereador do Rio Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou em depoimento à Polícia Federal não ter produzido ou divulgado qualquer tipo de conteúdo que incitasse ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao Congresso ou aos seus integrantes, e negou utilizar “robôs” para promover postagens. Carlos foi ouvido como testemunha no dia 10, no Rio de Janeiro, no inquérito que apura a organização e o financiamento de atos antidemocráticos.

À PF, Carlos disse que nunca utilizou verba pública para manter perfis em redes sociais e que não é “covarde ou canalha” para contratar “robôs” para difundir conteúdo e omitir essa informação. No depoimento, Carlos contou que, entre 2010 a 2012, criou redes sociais diversas em nome de Jair Bolsonaro na tentativa de difundir as informações sobre o trabalho desenvolvido pelo seu pai.

O filho do presidente disse também que não participa da política de comunicação do governo, afirmou que apenas ajuda a divulgar em suas redes e na do pai os conteúdos de comunicação institucional da administração federal.

Ele disse que, como vereador, contratou José Matheus Salles Gomes para ajudá-lo nesse trabalho. Gomes hoje é lotado no Palácio do Planalto, no cargo de assessor especial, e faz parte do chamado “gabinete do ódio” – núcleo apontado como responsável por ataques a adversários nas redes sociais cuja existência foi revelada pelo Estadão em novembro do ano passado.

O ESTADO DE S.PAULO

Adriana Ferraz, Ana Paula Niedarauer

O ano de 1953 marca a chegada à Prefeitura de um dos políticos mais populares do Brasil, que fez carreira em São Paulo e chegou à Presidência como um fenômeno das urnas. O quinto capítulo da série multimídia Política que Marca conta a história de Jânio Quadros, pioneiro do marketing político, eternizado no imaginário popular pela “vassoura”, símbolo da luta que prometia travar contra a corrupção.

O jingle “varre, varre, vassourinha, varre, varre a roubalheira” foi usado em todas as suas campanhas políticas, com apenas algumas adaptações na letra. Eleito prefeito da capital, sua gestão ficou marcada pelas comemorações do Quarto Centenário da cidade, período em que foi entregue o Parque do Ibirapuera, inaugurado em agosto de 1954 e o queridinho dos paulistanos desde então.

Produzido em parceria com a TV Estadão ea Rádio Eldorado, o quinto podcast da série traz detalhes sobre as estratégias eleitorais de Jânio, que carregava um sanduíche de mortadela no bolso e o tirava sempre na frente do povo para demonstrar simplicidade. O visual meio desleixado, os ternos surrados e porte físico também ajudavam nessa tentativa de se fazer como um de seus eleitores, segundo a cientista política Vera Chaia, autora do livro A liderança política de Jânio Quadros.

“Ele aproveitou o seu tipo físico, não criou esse tipo, era aquilo mesmo. Era uma pessoa magra, talvez um cabelo oleoso, usava uns ternos muito estranhos e tinha um jeito de falar muito diferente. Usava palavras difíceis, as pessoas não entendiam, mas achavam bonito e achavam que ele mereceria o seu voto”, diz.

Moralista e conservador, Jânio fechou prostíbulos na cidade e tentou definir o que as pessoas podiam ou não fazer.

Detalhes da construção do Ibirapuera, considerado no começo do século passado uma área pantanosa de difícil utilização, também compõem o programa, que ainda conta com um minidocumentário sobre o parque.

O ESTADO DE S.PAULO

A TV Cultura estreia hoje, às 20h45, o programa De Olho no Voto, em parceria com o Estadão. Toda sexta-feira, o programa vai apresentar discussões e entrevistas sobre as eleições municipais deste ano.

Sob o comando de Rodrigo Piscitelli, a primeira edição conta com a participação da colunista do Estadão e apresentadora do Roda Viva, Vera Magalhães, e do editor-assistente de política do Estadão Tiago Dantas. A transmissão será feita na TV Cultura e no site da emissora.

Além das projeções para a disputa de novembro, o programa desta sexta vai falar sobre como a corrida eleitoral está se desenhando nas principais cidades do País, agora que as convenções partidárias já se encerraram.

Deverão ser debatidos também os desafios dos candidatos em meio à pandemia, as demandas dos eleitores e temas que surgirem durante a campanha.

FOLHA DE S.PAULO

Marcelo Rocha

Em depoimento à Polícia Federal no inquérito que investiga atos antidemocráticos, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) disse que não é “covarde ou canalha a ponto de utilizar robôs e omitir essa informação".

A Folha teve acesso ao depoimento, prestado no último dia 10.

Conhecido como filho 02, o vereador admitiu ainda relação com contas pessoais do pai, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), nas redes sociais.

Questionado pela PF, Carlos disse que não participa da política de comunicação do governo federal e que "tem relação apenas com divulgação dos trabalhos desenvolvidos pelo governo federal nas contas pessoais do declarante e do seu pai".

O vereador admitiu ainda relações com um dos integrantes do “gabinete do ódio”, mas apenas para pedir informações.

Carlos prestou depoimento na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Ele estava acompanhado do advogado Antonio Carlos Ribeiro Fonseca.

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o filho 03, também será ouvido pelos investigadores. A oitiva está prevista para a próxima terça-feira (22).

O interrogatório foi realizado pela delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro, encarregada de conduzir as investigações do inquérito que tramita no STF (Supremo Tribunal Federal), a pedido da PGR (Procuradoria-Geral da República).

No início da oitiva, Carlos foi informado do seu direito de permanecer calado e de não responder a perguntas ou de responder a algumas e se calar em outras. O vereador não se furtou a responder aos questionamentos.

Ele foi indagado sobre a utilização de robôs para impulsionamento de informações em redes sociais envolvendo memes ou trabalhos desenvolvidos pelo governo federal.

Carlos então respondeu: "Jamais fui covarde ou canalha a ponto de utilizar robôs e omitir essa informação".

O inquérito em questão foi aberto em 21 de abril pelo ministro do STF Alexandre de Moraes e mira integrantes da militância bolsonarista que participaram de manifestações com pautas favoráveis ao AI-5 e ao fechamento do Congresso e do Supremo.

Moraes já determinou mandados de busca e apreensão, quebra do sigilo bancário e outras diligências contra dez deputados federais, um senador e diversos outros apoiadores do presidente da República.

A PF perguntou sobre a relação de Carlos com Fábio Wajngarten, secretário-executivo do Ministério das Comunicações. O vereador disse que o conhece, mas não tem relação profissional ou pessoal com ele.

Afirmou que Wajngarten “encaminha de forma habitual prévias de possíveis manchetes do dia seguinte nos meios de comunicação”.

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Família Bolsonaro na política

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O filho 02 foi questionado sobre sua eventual ligação com assessores da Presidência da República apontados como integrantes do chamado "gabinete do ódio".

O grupo, tutelado por Carlos, é responsável por parte da estratégia digital bolsonarista. A existência do gabinete foi revelada pela Folha no dia 19 de setembro de 2019.

A reportagem mostrou que o bunker ideológico está instalado numa sala no terceiro andar do Palácio do Planalto, a poucos passos do gabinete presidencial.

Carlos afirmou ainda que mantém contato com José Matheus Salles Gomes, um desses assessores, “em razão de solicitações realizadas pelo declarante [Carlos] no tocante a fornecimento de informações relacionadas aos trabalhos desenvolvidos pelo governo federal”.

E que usa as informações para “divulgação nas suas redes sociais, uma vez que as redes sociais do declarante tem alcance maior do que de muitos órgãos do governo federal”.

O vereador informou que conheceu José Matheus por volta de 2010 ao saber de uma página mantida por ele no Facebook denominada “Bolsonaro Zueiro”, na qual eram divulgados memes relacionados ao seu pai, então deputado federal, que despertavam interesse dos usuários.

Além de José Matheus, a PF quis saber sobre a relação de Carlos com Tércio Arnaud, outro assessor da Presidência suspeito de participar do “gabinete do ódio”.

Ele respondeu que foi apresentado a Tércio Arnaud pelo próprio pai em 2017, em razão do conhecimento de Tércio sobre redes sociais e que, posteriormente, ele foi lotado em seu gabinete na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

A delegada Denisse Ribeiro perguntou ao vereador sobre seu conhecimento em relação às informações presentes em recente relatório divulgado pelo Facebook, elaborado pela organização Atlantic Council.

A empresa afirmou que removeu uma rede com 73 contas ligadas a integrantes do gabinete do presidente Jair Bolsonaro, seus filhos e aliados. Parte delas promovia propagação de ódio e ataques políticos.

O Facebook e o Instagram identificaram páginas e contas com conteúdo de ataques a adversários políticos feitos por Tércio.

Carlos respondeu que desconhece tal relatório, porém tem ideia do assunto por meio da mídia e das redes sociais.

A respeito de perfis falsos para a divulgação de determinados conteúdos, ele disse “que tem conhecimento a respeito do tema em razão de divulgações realizadas pela deputada federal Joice Hasselmann com a utilização de assessores para atacar adversários políticos tais como a [deputada federal] Bia Kicis e o declarante [Carlos]”.

Em abril, a Folha revelou que a PF investigava a atuação de Carlos em um esquema criminoso de notícias falsas, no âmbito do inquérito das fake news que tramita no STF e que também é relatado por Moraes.

Sobre um terceiro assessor da Presidência da República apontado como integrante do “gabinete do ódio”, Carlos disse que tem ciência de Mateus Matos Diniz em relação com a assessoria da Presidência e que o conheceu por intermédio de José Matheus durante uma viagem pessoal.

Carlos negou qualquer relação com a criação ou divulgação de conteúdo com caráter antidemocrático.

Disse que não conhece Sara Giromini, conhecida como Sara Winter e apontada como líder do grupo de extrema direita 300 do Brasil, e o jornalista Oswaldo Eustáquio, apoiador de Bolsonaro.

Entre outras pessoas, Sara e Oswaldo foram presos por ordem de Alexandre de Moraes no inquérito dos atos democráticos após uma série de manifestações na Esplanada dos Ministérios, com ataques verbais a integrantes do STF e do Congresso.