Imprensa europeia pede a UE medidas mais fortes contra a desinformação nas redes sociais

Imprensa europeia pede a UE medidas mais fortes contra a desinformação nas redes sociais

Organizações de notícias e jornalistas da Europa pediram nesta segunda-feira (15) à Comissão Europeia para que tome "medidas mais fortes" junto a plataformas digitais como Google e Facebook no combate à desinformação on-line.

Em declaração conjunta, a Federação Europeia de Jornalistas, o Conselho Europeu dos Editores e a Associação de Televisão Comercial na Europa (ACT) destacam estarem "alarmados com o aumento da desinformação on-line durante a pandemia" de COVID-19, com "um impacto devastador nos esforços de saúde pública", considerando que o "código europeu de boas práticas", assinado em 2018 por plataformas digitais, "se revelou inadequado para abordar a fonte e os motores da desinformação difundida na internet".

Para os signatários do manifesto, há “uma necessidade urgente de instrumentos eficazes para avaliar melhor e resolver com êxito o problema". Segundo o documento, "a Europa depende demasiado da boa vontade" das plataformas digitais.

Entre as "medidas muito mais rigorosas" exigidas está "um regime de sanções" para garantir que "os cossignatários do código de boas práticas sejam incentivados a agir". Estas iniciativas devem "estimular e não penalizar os meios de comunicação social", garantindo "a liberdade jornalística, os direitos fundamentais e a liberdade editorial", de acordo com a declaração.

Na semana passada, a União Europeia exortou os gigantes da internet a fazer mais para combater a "enorme onda de desinformação" gerada pela pandemia, publicando um relatório mensal sobre as ações empreendidas.

Estes relatórios mensais sobre os esforços das plataformas para combater a desinformação sobre a pandemia "serão públicos", e terão de conter "informações específicas sobre a natureza da desinformação, as técnicas de manipulação utilizadas, a dimensão da rede abrangida, a origem geopolítica e o público-alvo", explicou Vera Jourová, vice-presidente da Comissão.

A pandemia já tinha levado a UE a solicitar aos gigantes tecnológicos que destacassem informações das autoridades sanitárias, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), e retirassem publicidade a medicamentos falsos.

No final de 2018, plataformas digitais como Google, Facebook, Twitter, Microsoft e Mozilla comprometeram-se a combater a desinformação nas suas páginas, através da assinatura de um código de conduta contra as “fake news”, um mecanismo voluntário de autorregulação que nos últimos meses tem estado centrado na desinformação sobre a COVID-19.

Leia mais em:

https://europeanjournalists.org/blog/2020/06/15/the-efj-calls-for-stronger-measures-to-tackle-disinformation-on-online-platforms/

https://www.rtp.pt/noticias/economia/associacoes-de-jornalistas-reclamam-a-ue-medidas-mais-fortes-contra-desinformacao_n1236970