Fraco desempenho do Los Angeles Times reforça importância da retenção de assinantes digitais Reprodução

Fraco desempenho do Los Angeles Times reforça importância da retenção de assinantes digitais

O resultado decepcionante das assinaturas digitais do jornal norte-americano Los Angeles Times nos primeiros seis meses de 2019 revela que, mesmo para aqueles que como o diário da costa oeste dos Estados Unidos eram líderes de circulação impressa antes da era digital (965 mil exemplares diários em 2002), a retenção de assinantes é, agora, mas decisiva do que nunca. O fraco desempenho reforça ainda o alto grau de dificuldade dos obstáculos impostos aos jornais, em particular os locais e regionais, na busca por leitores dispostos a pagar por conteúdo no meio online.

“Depois de conquistar os assinantes, você precisa provar que é digno do dinheiro deles, repetidamente”, diz Joshua Benton, diretor de jornalismo do Nieman Lab, da Fundação Nieman, na Universidade Harvard. “A retenção é fundamental para tornar a receita dos leitores a base do novo modelo de negócios”, assinala.

Além disso, afirma Benton, a rotatividade, que sempre foi um problema para os jornais, é ainda mais evidente em um mundo de constante concorrência por assinantes, não apenas de produtores de conteúdo, mas também de entretenimento, como o Netflix. Os jornais que costumavam ter escala competitiva no meio impresso – onde as limitações de distribuição física lhes davam poder de mercado – não são capazes de reproduzir isso em um ambiente dominado pelas empresas de tecnologia, segundo o jornalista.

Benton faz críticas à estratégia do Los Angeles Times na retenção de assinantes, mas reconhece que o jornal investiu de forma considerável no digital desde que foi vendido pela Tribune Company, do grupo Tronc, para o médico bilionário Patrick Soon-Shiong em 2018. O jornal esperava dobrar suas assinaturas digitais até o fim de 2019, de 150 mil para 300 mil – número bem menor que os líderes The New York Times (quase 3 milhões) e The Washington Post (1,7 milhão).  

Na metade do ano, entretanto, o jornal com sede em Los Angeles computou apenas 13 mil novos assinantes digitais, isso porque o volume de cancelamentos fez minguar as 52 mil assinaturas (ao custo de 99 centavos de dólar para o primeiro mês e US$ 2 por semana depois disso, ou cerca de US$ 100 por ano) conquistadas no período.

O Los Angeles Times, pondera Benton, vem de um longo período de má gestão antes de sua venda no ano passado, mas mesmo assim seus resultados são frustrantes, até porque vem fazendo mais recentemente investimentos acertados em suas operações. Essas ações, porém, diz o jornalista, ainda não são o suficiente. 

Ao comentar os desafios da indústria jornalística em geral, Benton ressalta que é preciso mais do que criar um excelente jornalismo. “É [preciso] garantir que o grande jornalismo seja visto pelas pessoas que apreciam ou tiram proveito disso”.

Benton afirma que, além oferecer conteúdos e experiências exclusivas ao leitor, os jornais devem usar os dados fornecidos pelos assinantes para determinar exatamente o que eles consideram valioso e garantir uma relação muito próxima e constante. Nessa tarefa, boletins informativos por e-mail, podcasts semanais, alertas de notícias inteligentes, links certos para conteúdo de fim de semana e qualquer outra coisa que crie hábito têm de ser bem explorados.

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https://www.niemanlab.org/2019/07/the-l-a-times-disappointing-digital-numbers-show-the-games-not-just-about-drawing-in-subscribers-its-about-keeping-them/?utm_source=Daily+Lab+email+list&utm_campaign=573594378f-dailylabemail3&utm_medium=email&utm_term=0_d68264fd5e-573594378f-386384393