Modelos com menos edições impressas diárias estão mais próximos das realidades dos jornais, diz Ken Doctor   Reprodução

Modelos com menos edições impressas diárias estão mais próximos das realidades dos jornais, diz Ken Doctor  

O mercado jornalístico está à beira de ver, talvez já em 2020 – segundo alguns analistas de mercado –, uma grande migração das edições diárias impressas dos jornais para o meio digital, diz Ken Doctor, da Newsonomics e analista da indústria de mídia. “A grande questão agora em muitas mesas corporativas é se o número certo de dias para serem cortados é cinco ou seis”, escreveu Doctor em artigo no Nieman Lab.

Há, segundo o especialista, o modelo 7/1, no qual as empresas mantém apenas o jornal impresso de domingo, onde a maior parte da receita de anúncios ainda é gerada, e o restante da produção apenas no meio online, dentro do mesmo conceito de mais profundidade nas reportagens, como é feito atualmente nas edições impressas. “Os jornais têm pressionado ofertas “Domingo + Digital” para os leitores barrados nos paywalls há anos, e você verá isso muito mais”. No Brasil, a Gazeta do Povo, do Paraná, adotou essa prática em 2017. O diário A Gazeta, do Espírito Santo, anunciou esta semana que fará o mesmo a partir de 30 de setembro deste ano.  

Outro modelo, diz Doctor, é 7/2, com circulação impressa aos domingos mais um dia de semana. “Talvez uma quarta-feira cheia de anúncios de supermercados (Esse é um fenômeno que permanece em alguns mercados, mas desapareceu em outros.)”, comenta. O formato mais conservador para a transformação do papel para o digital, de acordo com o analista, é o 7/6, como fez recentemente o grupo norte-americano McClatchy em seu jornal Myrtle Beach Sun News, da Carolina do Sul.

Esse modelo, afirma Doctor, economiza muito menos nos custos físicos (papel de jornal, impressão, caminhões e entrega, entre outros insumos e logística), mas é uma maneira de dar um passo no processo de transformação sem precisar “saltar” de uma só vez. “E é um teste: se você quebrar o laço de longa data entre o sol nascendo no leste e os jornais batendo na porta, será que suficientes anunciantes e assinantes o aceitarão para fazer a economia funcionar?”.

A mudança, entretanto, é complexa, ressalta Doctor. Permanecem incertas questões como: o tempo certo da mudança; execução; e o que essas empresas jornalísticas, seus leitores e suas comunidades ganharão e perderão na transição. Há ainda, entre muitos publishers, o medo que “haja algo de sagrado no hábito de sete dias” que há muito tempo une as empresas jornalísticas e seus assinantes mais fiéis.

Ken Herts, diretor de operações do Instituto Lenfest, resume o dilema da seguinte forma, segundo Doctor: “Muitos jornais são como barcos no topo das Cataratas do Niágara. Alguns têm mais poder para se afastar do que outros, e alguns estão mais perto da borda. Mas as fortes correntes de declínio da impressão afetam todas eles, e precisam se mover antes que seja tarde demais”.

De qualquer forma, Doctor listou algumas métricas que os publishers monitoram para saber qual modelo escolher e quando fazer isso:

  • É possível reter 80% ou mais da receita de anúncios impressos movendo os anunciantes da semana para o domingo e/ou outro dia?
  • Os jornais podem manter a receita de circulação praticamente estável enquanto reduzem substancialmente os custos? Nesses modelos, afirma Doctor, os assinantes normalmente pagam um pouco menos por menos dias do que pagaram por sete – mas não muito menos. Os editores pretendem manter entre 70% e 90% de sua receita de circulação de sete dias.
  • Podem melhorar seus ganhos/EBITDA em um múltiplo de um milhão de dólares por mercado?

Leia mais em:

https://www.niemanlab.org/2019/08/newsonomics-the-daily-part-of-daily-newspapers-is-on-the-way-out-and-sooner-than-you-might-think/