Massacres nos EUA indicam que redes sociais não fizeram o suficiente para banir apologia ao ódio de suas plataformas Reprodução/AFP

Massacres nos EUA indicam que redes sociais não fizeram o suficiente para banir apologia ao ódio de suas plataformas

Os dois massacres ocorridos no último fim de semana nos Estados Unidos, em particular o tiroteio em El Paso, no Texas, mostram mais uma vez que as plataformas de grandes empresas de tecnologia como Google e Facebook continuam a ser utilizadas para insuflar a violência a partir de conteúdo carregado de apologia ao ódio. Em março, depois que um vídeo do massacre em mesquitas da Nova Zelândia foi distribuído e visto por milhões de pessoas nas redes sociais, as empresas prometeram mais controle sobre esse tipo de conteúdo, mas levantamento feito pelo site Recode, da Vox, revela que as companhias ainda não fizeram o suficiente.

Autoridades federais dos Estados Unidos disseram no domingo (4) que estão investigando a possibilidade de o crime em El Paso ter sido inspirado por ideologias da supremacia branca. Minutos antes do tiroteio, segundo o Recode, um manifesto anti-imigrante repleto de ódio apareceu no popular fórum de mensagens 8chan, e não está descartada a possibilidade de ser de autoria do atirador de El Paso. Os moderadores do 8chan deletaram o manifesto imediatamente depois que ele foi publicado, mas usuários continuaram a repassar e compartilhar links para o manifesto.

Fredrick Brennan, que lançou o fórum em 2013, mas não controla mais o site, disse em entrevista ao jornal The New York Times que é hora de fechar a página na web. “Não está fazendo bem ao mundo. É uma negativa completa para todos”, afirmou. A empresa foi procurada pelo Recode, mas não havia se manifestado até a manhã desta segunda-feira (5). O 8chan evita, em grande parte, qualquer moderação de conteúdo e, segundo o Recode, tem apenas uma regra em sua plataforma: “Não publique, solicite ou vincule qualquer conteúdo que seja ilegal nos Estados Unidos e não crie painéis com o único propósito de publicar ou espalhar tal conteúdo”.

Um porta-voz do Facebook lembrou que, em março, a empresa baniu grupos terroristas e de apologia ao ódio de todos os tipos, incluindo mais de 200 organizações de supremacia branca. "Banimos essas organizações e indivíduos e também removemos todo elogio, apoio e representação deles assim que tomamos conhecimento disso", escreveu o porta-voz.

Logo depois do atentado na Nova Zelândia, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, pediu a ajuda do governo na criação de regras para a internet. “[Nós] temos a responsabilidade de manter as pessoas seguras em nossos serviços. Isso significa decidir o que conta como propaganda terrorista, discurso de ódio e muito mais. Revemos continuamente nossas políticas com especialistas, mas em nossa escala sempre cometemos erros e decisões com as quais as pessoas discordam”, escreveu o bilionário em um artigo publicado no jornal The Washington Post.

Um porta-voz do Twitter disse ao Recode que a plataforma está "removendo proativamente conteúdo que viola nossa política e estará envolvida com a aplicação da lei, conforme apropriado". A empresa informou que tomou medidas em relação a 184 grupos e baniu mais de 2 mil contas. Em fevereiro, o CEO do Twitter, Jack Dorsey, disse à jornalista Kara Swisher, do Recode, que dava uma nota C para a sua empresa. “Mudar a experiência não foi significativo o suficiente. (...) Nós colocamos a maior parte do fardo sobre as vítimas de abuso (isso é um grande fracasso)”, afirmou.

O YouTube não respondeu imediatamente a um pedido de comentário feito pelo Recode, mas em junho, durante a Code Conference, a CEO Susan Wojcicki destacou os avanços obtidos pela empresa.  “Podemos definitivamente fazer e continuar melhorando como gerenciamos a plataforma. (...) No ano passado, nos comprometemos a ter mais de 10 mil pessoas trabalhando em conteúdo controverso, então vejo quanto progresso já fizemos”, afirmou. Na mesmo mês, o YouTube baniu conteúdo de neonazistas e atualizou sua política de discurso de ódio. A companhia afirma ter reduzido as visualizações de vídeos supremacistas em 80% desde 2017.

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https://www.vox.com/recode/2019/8/4/20753951/el-paso-dayton-shooting-8chan-twitter-facebook