“Vi os limites do jornalismo”, diz líder da redação vencedora do Pulitzer pelas fotos do Massacre de Columbine Reprodução/Reuters

“Vi os limites do jornalismo”, diz líder da redação vencedora do Pulitzer pelas fotos do Massacre de Columbine

Os massacres registrados no último fim de semana nas cidades norte-americanas de Dayton (Ohio) e El Paso (Texas) não apenas evidenciam o ciclo vicioso de chacinas no qual os Estados Unidos estão mergulhados, mas também colocam em xeque a eficiência das coberturas jornalísticas sobre os atentados em massa por armas. A observação é do jornalista John Temple, diretor do programa de reportagem investigativa da Universidade Berkeley, da Califórnia, que, em 1999, era o editor do jornal Rocky Mountain News, de Denver, quando os tiroteios na Escola de Columbine atingiram o país.

“Os jornalistas sentem a necessidade de testemunhar. Mas para o mesmo horror, de novo e de novo? Não posso mais dizer que acredito que aprendemos com coisas terríveis. Posso dizer que vi os limites do jornalismo e da esperança. E estou lutando com o que fazer sobre isso”, escreveu Temple no site da revista The Atlantic.

O jornalista lembrou que o trabalho da equipe do Rocky Mountain News, jornal vencedor do prêmio Pulitzer por fotografia de notícias e de várias premiações nacionais, foi cercado de todos os cuidados em relação às técnicas e à ética do jornalismo. “Vendo o que havíamos visto, o que o ataque havia feito às famílias dos mortos, aos feridos e aos sobreviventes e à própria comunidade, não podíamos imaginar que a nação permitisse que muitos outros tiroteios fossem realizados”, afirmou Temple. “No entanto, apesar de nossa dedicação ao trabalho, apesar das inúmeras investigações, projetos e relatórios especiais, parece que nada mudou”.

Há, segundo o jornalista, “um ritual para a cobertura” de massacres que parece terminar sempre da mesma maneira. “Jornalistas contam a história de como foi sobreviver ao massacre. Em seguida, eles oferecem relatos delicados das vidas das vítimas, detalham onde e como as armas foram compradas, publicam perfis do assassino (ou assassinos) e escrevem relatos das batalhas dos feridos”, sintetizou. “Esse ritual pode fazer o jornalismo parecer fútil. Sou forçado a perguntar por que os jornalistas estão fazendo esse trabalho dessa maneira e se, no final, vale a pena”.

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