SIP concede prêmio de liberdade de imprensa à jornalista sequestrada e torturada há 20 anos na Colômbia Reprodução

SIP concede prêmio de liberdade de imprensa à jornalista sequestrada e torturada há 20 anos na Colômbia

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP, na sigla em espanhol) anunciou a entrega da edição de 2019 do seu Grande Prêmio de Liberdade de Imprensa à jornalista colombiana Jineth Bedoya Lima.  

"Esperamos que o prêmio à Jineth Bedoya honre seu comportamento diante dos perigos e injustiças a que esteve exposta por tantos anos e sirva para aumentar a conscientização sobre os riscos que muitas mulheres jornalistas sofrem", destacou a presidente da SIP, María Elvira Domínguez, diretora do jornal El País de Cali, da Colômbia.

Ao saber do prêmio, Jineth Bedoya disse que "essa luta de quase 20 anos significou deixar parte da minha vida nela, mas também teve a recompensa de dignificar e transformar vidas através do jornalismo".

A jornalista, atual subeditora do jornal El Tiempo, foi sequestrada na entrada da prisão Modelo de Bogotá em 25 de maio de 2000, segundo o Centro Knight, enquanto investigava a morte de 26 internos e o suposto tráfico de armas dentro da prisão. Durante seu sequestro, foi torturada, espancada e abusada sexualmente.

O caso permaneceu em impunidade durante dez anos e até agora apenas três pessoas foram condenadas: Mario Jaimes Mejía, Alejandro Cárdenas Orozco e Jesús Emiro Rivera Pereira. Em 2012, a Procuradoria Geral da Colômbia declarou os horrores contra a jornalista como um crime contra a humanidade, o que impede sua prescrição.

Em 2011, a jornalista entrou com uma ação contra a Colômbia junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH). Em audiência de 2016, ela pediu à entidade para condenar a Colômbia pela violação de vários de seus direitos. Mais recentemente a CIDH levou o caso à Corte Interamericana, que agora julgará sobre a responsabilidade do país em relação ao crime.  

Em 2009, Jineth Bedoya criou a campanha “No es hora de callar” (“Não é hora de ficar em silêncio”) para incentivar mulheres vítimas de violência a denunciar. A jornalista publicou oito livros sobre o conflito armado na Colômbia, tráfico de drogas e corrupção, tendo recebido inúmeros prêmios nacionais e internacionais.

Leia mais em:

https://www.sipiapa.org/notas/1213322-la-sip-otorga-gran-premio-libertad-prensa-2019-la-periodista-colombiana-jineth-bedoya-lima

https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-21070-caso-de-jornalista-colombiana-jineth-bedoya-sera-julgado-pela-corte-interamericana-de-