Manifestos extremistas devem ser abordados com “silêncio estratégico”, defende estudiosa do Centro Shorenstein Reprodução

Manifestos extremistas devem ser abordados com “silêncio estratégico”, defende estudiosa do Centro Shorenstein

A cobertura sobre atos extremistas como os massacres do último fim de semana ocorridos nos Estados Unidos passou a ser um desafio ainda mais complexo para jornalistas depois da popularização das redes sociais. Joan Donovan, pesquisadora do Centro Shorenstein, da Harvard Kennedy School, defende que a mídia pratique “silêncio estratégico” ao relatar os manifestos dos extremistas, que têm por objetivo manipular a mídia e controlar a conversa pública, em especial nas plataformas interativas.

A ampla distribuição de ideias extremistas, afirma Joan Donovan, é um dos objetivos dos ataques violentos dos extremistas, e a republicação do manifesto desses agressores lhes fornece influência indevida sobre importantes debates públicos e pode potencialmente inspirar outras pessoas. A estudiosa recomenda que, em casos como o do massacre em El Paso, no qual o atirador postou um manifesto em mídia interativa, segundo informações da polícia, os jornalistas humanizem as vítimas, destaquem as organizações da sociedade civil que trabalham com populações-alvo e contem histórias atraentes da perspectiva de quem foi vitimado.

Joan Donovan lidera o Projeto de Pesquisa em Tecnologia e Mudança Social (TaSC, na sigla em inglês), que não se ocupa apenas de eventos extremistas, mas também do cenário mais amplo de manipulação da mídia e do ecossistema de desinformação. O projeto do TaSC tem como objetivo entender como a manipulação da mídia é um meio de controlar a conversa pública, fragilizar a democracia e perturbar a sociedade.

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https://shorensteincenter.org/dr-joan-donovan-on-el-paso-8chan-and-whats-next/