Zuckerberg compara seu Facebook a uma emissora de TV para justificar propaganda de Trump com inverdades Reprodução/Politico

Zuckerberg compara seu Facebook a uma emissora de TV para justificar propaganda de Trump com inverdades

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, comparou sua rede social a uma emissora de televisão (broadcaster) em meio à discussão travada no último fim de semana com a pré-candidata democrata à presidência dos Estados Unidos Elizabeth Warren. Mais uma vez, a comparação foi usada apenas para reivindicar o que é de interesse dos negócios da rede social, que assim como outras empresas digitais, entre elas o Google, nega se enquadrar na categoria de mídia e, com isso, evita obrigações e responsabilidades jurídicas similares às das organizações de notícias, como jornais e emissoras de rádio e televisão.

A senadora Elizabeth Warren, uma das vozes mais críticas em relação à ineficácia do Facebook no controle da desinformação propagada em suas plataformas, atacou a decisão da empresa de Zuckerberg de veicular campanha publicitária do presidente Donald Trump – candidato à reeleição – contendo inverdades sobre Joe Biden, também pré-candidato democrata à Casa Branca.

A equipe e Elizabeth Warren publicou ainda um anúncio com informações falsas no Facebook para comprovar que a rede social não faz uma boa checagem do conteúdo das publicidades. O anúncio falso dizia: "Breaking News: Mark Zuckerberg e Facebook apoiam Donald Trump para a reeleição. Você provavelmente está chocado e pode estar pensando: 'como isso pode ser verdade?'. Bom, não é".

A candidata acusou a rede social de receber dinheiro "para empurrar mentiras aos eleitores norte-americanos". Durante o fim de semana, ela explicou que seu anúncio era "para ver até onde" a política vai. O Facebook repondeu no Twitter se comparando com emissoras de televisão, ao dizer que a Comissão Federal de Comunicações (FCC, na sigla em inglês) tem a responsabilidade de regular essas empresas. A "FCC não quer que as empresas de transmissão censurem o discurso dos candidatos", disse o Facebook. "Concordamos que é melhor deixar os eleitores – e não as empresas – decidirem".

Difamações

O governo, segundo o site Olhar Digital, limita quantas estações uma empresa de mídia pode possuir em um mercado específico para limitar o comportamento anticompetitivo. Outros regulamentos da FCC exigem que as emissoras transmitam uma certa quantidade de programação infantil ou transmitam conteúdo sensível somente após determinadas horas.

"Obviamente, o Facebook não quer ser regulamentado como um radiodifusor, então, de certa forma, é estranho que eles estejam citando isso", disse Jack Goodman, ex-consultor geral da Associação Nacional de Radiodifusores. "Porque eles não são regulamentados e certamente não querem ser regulamentados".

“O Facebook parece admitir que, como as emissoras, exerce controle sobre a atenção, o dinheiro da publicidade e o debate político e, portanto, tem algum tipo de responsabilidade fiduciária”, escreveram Ellen Goodman e Karen Kornbluh no jornal britânico The Guardian. “Mas a empresa quer escolher apenas os aspectos permissivos da regulamentação: não faça moderações por desinformação. O que o Facebook deixa de reconhecer é que não é neutro. Está favorecendo candidatos que difamam seus oponentes e ampliam conspirações infundadas”.

Leia mais em:

https://www.theguardian.com/commentisfree/2019/oct/15/facebook-elizabeth-warren-regulation

https://olhardigital.com.br/noticia/senadora-dos-eua-faz-anuncio-falso-no-facebook-para-provocar-a-rede/91533