Leanne Gemma, diretora de produto do grupo norte-americano McClatchy Leanne Gemma, diretora de produto do grupo norte-americano McClatchy / Foto: Adriana Lorete/WAN-IFRA

Mesmo recente nas redações, gerência de produtos é hoje decisiva para o sucesso das estratégias de assinaturas digitais

A gerência de produtos é uma das novas funções criadas nas redações por força da produção e da distribuição de conteúdo cada vez mais digital. Começou a ganhar mais espaço a partir de 2016 e, hoje, é decisiva para o sucesso das estratégias de assinatura on-line de publicações como jornais e revistas, que no momento tem no conteúdo pago o caminho mais eficaz para a monetização, uma vez que a maior fatia dos investimentos em publicidade digital fica com o duopólio formado por Google e Facebook. Na prática, diz a diretora de produto do grupo norte-americano McClatchy, Leanne Gemma, o gerente de produto é responsável por uma série de iniciativas antes, durante e depois da elaboração e circulação de reportagens e artigos cujo principal objetivo é dar e tornar palpável o valor dos conteúdos jornalísticos.     

"Estamos concorrendo pelo tempo, pelo dólar e pela atenção dos nossos usuários”, disse Leanne em palestra durante a conferência Digital Media Latam 2019, realizada pela Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA), na semana passada, no Rio de Janeiro. Para garantir bons resultados em meio e esses desafios, afirmou a executiva, o gerente de produtos precisa unir todos os departamentos de um veículo de comunicação. “O gerente de produtos dá coesão a esse trabalho e reforça as estratégias para que todos fiquem alinhados com o que se espera alcançar”, assinalou. “Tem que pensar a estratégia global do veículo: redação, marketing, publicidade e tecnologia. Uma estratégia coerente para alcançar resultado.”

Essa não é uma tarefa fácil dentro de qualquer organização, seja qual for o mercado, mas parece ser mais desafiadora nas redações, segundo Leanne, que por muito tempo embasaram seus processos de produção na intuição. Por isso, não raro os projetos de muitas empresas noticiosas não vão adiante, mas consomem tempo e dinheiro. Um erro, enfatizou, que não pode mais fazer parte do fluxo jornalístico.

A diretora do grupo McClatchy, proprietário de quase 30 jornais em 14 estados norte-americanos, explicou que cabe ao gerente de produto promover o constante diálogo entre as diferentes equipes, que juntas devem definir táticas integradas para cada produto editorial. Com a estratégia definida, relata a WAN-IFRA, há a execução e a análise de pesquisas para aprimorar novas estratégias em outras ocasiões. "Essa ainda é uma função nova para muitos veículos de comunicação, mas é fundamental encontrar alguém capaz de entender o conteúdo editorial, os recursos da tecnologia e o negócio", disse Leanne. “É preciso saber pensar de maneira sistêmica, notar tendências, trabalhar com diversos setores", acrescentou.

A executiva afirmou ainda que os gerentes de produtos de veículos de comunicação precisam "conhecer os leitores, pensar estrategicamente, aprender sobre os concorrentes, defender aliados interessados em criar produtos em conjunto e acreditar em ideias potenciais no cotidiano". Ela também ressaltou que é preciso conquistar a confiança dos leitores e garantir a eles uma interação permanente. “Não subestime essa relação próxima para capturar assinaturas", aconselhou Leanne. 

Texto editado com informações da ANJ, WAN-IFRA e Folha de S.Paulo.

Leia mais em:

https://blog.wan-ifra.org/2019/11/13/gerente-de-produto-peca-chave-para-veiculos-de-comunicacao

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2019/11/competicao-no-jornalismo-e-relacao-entre-amigas-e-rivais-diz-editora-do-washington-post.shtml