Manipulação de governos nas redes sociais aumenta e tem potencial devastador, diz Freedom House Reprodução

Manipulação de governos nas redes sociais aumenta e tem potencial devastador, diz Freedom House

A internet caminha a passos largos para deixar de ser um espaço livre. Este é o cenário verificado pelo mais recente relatório sobre liberdade da web da organização Freedom House, divulgado nesta terça-feira (14). O estudo mostra que governos de todo o mundo aumentaram "drasticamente" suas tentativas de manipular a informação na internet, em especial nas redes sociais, com o objetivo de influenciar a política e silenciar críticas. "Os efeitos dessas técnicas de disseminação rápida sobre a democracia e o ativismo cívico são potencialmente devastadores", alertou o presidente da Freedom House, Michael Abramowitz, em comunicado.

O levantamento, feito entre junho de 2016 e maio deste ano, avalia a situação em 65 países, que somam 87% dos usuários de internet no mundo. Em 30 países – sete a mais do que os 23 do período anterior –, os governos repetem o caso mais notório no momento, o da Rússia, produzindo em massa conteúdo no Facebook, Google e Twitter “para distorcer a paisagem digital a seu favor". Além disso, 32 nações avaliadas no relatório viram sua situação se deteriorar, entre elas o Brasil.

"A manipulação do conteúdo online contribuiu para um sétimo ano consecutivo de diminuição geral da liberdade na internet, junto a um aumento das interrupções do serviço de internet móvel e um aumento dos ataques físicos e técnicos contra os defensores de direitos humanos e meios de comunicação independentes", ressalta o relatório. "Os comentaristas pagos, trolls, bots, sites de notícias falsas e veículos de propaganda foram algumas das técnicas utilizadas pelos líderes políticos para inflar seu apoio popular", indica o documento.

A maioria dos governos, ainda de acordo com o relatório, focou-se na opinião pública dentro das suas próprias fronteiras, mas outros "buscaram expandir seus interesses no exterior, exemplificado por uma campanha de desinformação russa para influenciar as eleições americanas". Pelo terceiro ano consecutivo, a China foi "o pior abusador" da liberdade na internet no mundo, seguida pela Síria e a Etiópia. Os principais retrocessos foram registrados na Ucrânia, Egito e Turquia.

Impacto na eleições e alerta à regulamentação

As táticas de manipulação e desinformação na internet também desempenharam um papel importante nas eleições de pelo menos 18 países, incluindo os Estados Unidos. "[Isso} prejudicou a capacidade dos cidadãos de escolherem seus líderes com base em notícias objetivas e debates autênticos", salienta o documento. A Freedom House considera ainda que a liberdade na internet nos Estados Unidos pode estar ameaçada pela tentativa atual do governo de alterar as regras de neutralidade da rede, e advertiu para possíveis impactos negativos de novas leis de combate à desinformação na internet, em estudo em diferentes regiões.

A organização estima que 14 países que procuraram frear bots maliciosos e outras atividades nefastas na web acabaram por criar regras ao longo do ano passado que "realmente restringiram a liberdade da internet", talvez involuntariamente. Isso inclui a Alemanha, que instituiu uma nova lei em junho de 2017. "A solução para a manipulação e a desinformação não consiste em censurar sites, mas em ensinar aos cidadãos a detectar notícias falsas”, defendeu Sanja Kelly, supervisora de produção do relatório.

Entre os países da América Latina, o relatório destaca o retrocesso na Venezuela, no México e no Equador. A internet na Venezuela passou a ser declarada "não livre" por conta do menor acesso, aumento na censura e bloqueios e ataques técnicos contra meios de comunicação e ONGs. No México são denunciadas "práticas de vigilância ilegal". Sobre o Equador, o documento assinala que, durante a campanha eleitoral presidencial, foram pirateadas contas de redes sociais de políticos, jornalistas e ativistas "da oposição" para "divulgar desinformação".

Em relação ao Brasil, o relatório cita, por exemplo, a avalanche de pedidos por parte de políticos de remoção de conteúdo em sites e blogs durante as eleições municipais de 2016, bloqueios judiciais do WhatsApp e o interrogatório do jornalista e blogueiro Eduardo Guimarães, que tinha como objetivo descobrir suas fontes.

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HTTPS://WWW.RECODE.NET/2017/11/14/16640300/INTERNET-FREEDOM-FACEBOOK-TWITTER-GOOGLE-US-RUSSIA-DISINFORMATION

http://epocanegocios.globo.com/Tecnologia/noticia/2017/11/relatorio-detecta-aumento-da-manipulacao-governamental-em-redes-sociais.html

http://www.14ymedio.com/cienciaytecnologia/Crece-manipulacion-gubernamental-Freedom-House_0_2327767201.html

https://www.letemps.ch/monde/2017/11/14/plus-plus-gouvernements-manipulent-reseaux-sociaux