Google e Facebook têm de abandonar a pretensão de que não são mídia, diz editor do FT Reprodução

Google e Facebook têm de abandonar a pretensão de que não são mídia, diz editor do FT

Pressionados como nunca, Google e Facebook dizem estar dispostos a fazer mais para combater as notícias falsas, impedir o ódio em seus sites e até ajudar os publishers a garantir certa monetização. As promessas, porém, repetem ineficácia e são acompanhadas pela constante negativa dessas empresas da real essência de seus negócios. "Os sites de tecnologia dominante devem assumir mais responsabilidades pelos conteúdos em suas plataformas. Eles devem abrir mão do pretexto de que são simplesmente canais [de distribuição] para publishers e não as próprias empresas de mídia", enfatizou na segunda-feira (13) o editor do jornal britânico Financial Times, Lionel Barber, durante a conferência Society of Editors.

No efêmero mundo da Era digital, o que Barber diz não é uma novidade e foi enfatizado por diferentes líderes da indústria jornalística e de marcas anunciantes, que imploram por segurança na web. Agora, entretanto, ganha peso diante da crescente queda na credibilidade das empresas de tecnologia. Ao sustentar sua tese, o jornalista destacou a forma como o duopólio Google-Facebook opera, influenciando o consumo de informação de milhões pessoas com base em algoritmos e o poder de remover ou publicar conteúdo sem assumir responsabilidades.

Nessa cômoda condição, afirmou o editor do Financial Times, as empresas de tecnologia lucram cada vez mais. Barber citou estimativa do Digital Content Next, segundo a qual 90% das novas entradas de receita com publicidade online nos Estados Unidos acabarão nos cofres de Facebook e Google. Do outro lado, com muito menos recursos, estão os publishers, "carregando despesas consideráveis e riscos relacionados à precisão” para manter o jornalismo de qualidade, em meio ao desafio da fragmentação da mídia – na prática, contribuindo para o negócio do duopólio. “Eu digo [que é] desafio em vez de ameaça porque nós, jornalistas, não temos outra escolha senão abraçar a revolução", ressaltou o editor do diário britânico.

Assinaturas digitais

Sem perspectiva de mudança significativa na publicidade digital, Barber defendeu o modelo de conteúdo pago como o "melhor caminho” para o jornalismo de qualidade sobreviver e prosperar. "Conseguimos transformar nosso próprio modelo de negócios, cobrando conteúdo, aumentando os preços e construindo um negócio de assinaturas que nos permitiu diminuir constantemente nossa dependência de receitas publicitárias", afirmou.

O Financial Times, conforme Barber, "reformulou" a sua redação de "de cima para baixo", reduzindo o número de edições de jornais e dando prioridade à operação digital. Hoje, os assinantes online do jornal representam 80% do total de assinaturas (cerca de 900 mil em todo o mundo), enquanto a publicidade responde por menos da metade dos negócios do diário.

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