Cresce o número de leitores dispostos a pagar por notícias on-line, diz estudo do Instituto Reuters

Cresce o número de leitores dispostos a pagar por notícias on-line, diz estudo do Instituto Reuters

O número de pessoas dispostas a pagar por conteúdo noticioso continua a crescer, segundo a mais recente pesquisa anual sobre jornalismo digital do Instituto Reuters, da Universidade de Oxford, que entrevistou mais de 80 mil pessoas em 40 países.

A edição deste ano do Reuters Digital News Report, baseada em pesquisas do YouGov realizadas no início de 2020 e estudos em diferentes países, revela que nos Estados Unidos, por exemplo, o percentual de pessoas dispostas a pagar por  conteúdo está hoje em 20%, acima dos 16% do ano passado. Na Noruega, o percentual é de 42%, contra 34% em 2019.

A pesquisa também verificou aumentos significativos em Portugal, na Holanda e na Argentina. Quando observado o período a partir de 2013, diz o estudo, o nível médio de disposição para o pagamento cresceu em nove países. Em alguns casos, houve aumento também no número de pessoas que podem até mesmo pagar por mais de uma assinatura.

O relatório aprofundou sua análise em três países: Noruega, Estados Unidos e Reino Unido. Dentro desse recorte, a pesquisa mostra que as grandes organizações de notícias ficam com a maior fatia dos assinantes. Nos Estados Unidos, cerca de metade das pessoas que assinam qualquer pacote on-line ou combinado tem preferência pelo The New York Times ou o The Washington Post. Entre os norte-americanos, 30% assinam um ou mais títulos locais, com 131 veículos diferentes mencionados.

Em geral, segundo o pesquisador Richard Fletcher, o fator mais importante na decisão dos leitores em adquirir uma assinatura é a qualidade do conteúdo. “Nos Estados Unidos e no Reino Unido, os assinantes acreditam que têm melhores informações do que as pessoas que ficam apenas com as fontes gratuitas”, diz. Além disso, mais de um terço cita uma estreita afinidade com um jornalista em particular como motivo para se inscrever.

Mas o preço e a conveniência também são pontos importantes no processo de decisão do leitor. Na Noruega, um terço (30%) afirma que pode se inscrever se for mais barato, enquanto 17% dizem estar dispostos a pagar se puderem acessar vários sites a partir de uma única assinatura.

As doações para notícias também estão alta, com destaque para o britânico The Guardian, com mais de um milhão de pessoas contribuindo no ano passado. Segundo o estudo do Instituto Reuters, quase a metade de um número relativamente pequeno de doações no Reino Unido (42%) vai para o The Guardian, mas a maioria é pontual, com um pagamento médio de menos de £ 15.

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https://www.niemanlab.org/2020/06/in-some-countries-like-the-u-s-people-really-will-pay-for-more-than-one-news-subscription/