Crescimento do pessimismo e da desinformação digital reforçam confiança das pessoas no jornalismo Reprodução/Edelman

Crescimento do pessimismo e da desinformação digital reforçam confiança das pessoas no jornalismo

O sentimento de pessimismo em relação ao futuro e o desejo urgente de mudança social associados ao ambiente midiático digital caótico, repleto de desinformação, têm proporcionado interesse crescente das pessoas na busca por fatos. Esse comportamento aproximou e elevou o consumo e compartilhamento de notícias produzidas pelas empresas jornalísticas, revela a edição de 2019 do Trust Barometer, estudo global da empresa de relações públicas Edelman que analisa a confiança do público em governo, mídia, empresas e ONGs. Ao mesmo tempo, as redes sociais voltaram a apresentar queda de credibilidade.

A pesquisa revela que o número dos entrevistados que consome semanalmente ou mais conteúdo produzido por empresas jornalísticas (referidas no relatório como mídia tradicional) e compartilham ou publicam essas notícias várias vezes por mês ou mais aumentou 14 pontos percentuais, passando de 26% para 40%. O número de entrevistados que afirma que consome notícias semanalmente ou mais aumentou em oito pontos percentuais, de 24% para 32%. Inversamente, o número de pessoas que afirmam consumir o material jornalístico menos que semanalmente caiu mais 20 pontos percentuais, de 49% para 28%.

Por outro lado, a confiança nas mídias sociais (média global de 44%) permaneceu em baixa, especialmente nas regiões desenvolvidas, onde há enormes lacunas de confiança entre mídias tradicionais e sociais. Nos Estados Unidos e Canadá a brecha é de 31 pontos – 65% dos entrevistados disseram confiar na mídia tradicional. Na Europa a diferença é de 26 pontos percentuais em favor do jornalismo. Na América Latina a diferença favorável à mídia tradicional é menor, de 13 pontos percentuais. Em todo o mundo, 73% dos entrevistados disseram ter preocupação que notícias falsas ou desinformação estejam sendo usadas como armas nas redes sociais.

"A última década testemunhou uma perda de confiança nas figuras e instituições tradicionais de autoridade", disse Richard Edelman, CEO da Edelman. Mais recentemente, as pessoas perderam a confiança nas plataformas sociais. Essas forças levaram as pessoas a mudar sua confiança para os relacionamentos dentro de seu controle, principalmente seus empregadores (75% dos entrevistados). A pesquisa entrevistou, via online, entre 19 de outubro e 16 de novembro de 2018, 33 mil pessoas em 27 países, entre eles o Brasil.

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