Imprimir esta página
Algoritmos são decisivos nos negócios das empresas jornalísticas, mas também para os princípios editoriais Reprodução/Ilustração do The New York Times

Algoritmos são decisivos nos negócios das empresas jornalísticas, mas também para os princípios editoriais

Os algoritmos são o motor do modelo de negócios de empresas como Facebook, Google e Apple, que sugam os investimentos publicitários – cada vez mais digitais – das organizações de notícias e ainda mantêm a audiência nas suas plataformas, longe dos sites de jornais e revistas. Mas vários grupos jornalísticos começam a se destacar por suas experiências no jogo da cultura algorítmica, assinala Nicholas Diakopoulos, professor da Escola de Comunicação da Northwestern University e autor do livro "Automating the News: How Algorithms are Rewriting the Media".

“Os algoritmos são o novo meio no qual as organizações de notícias expressam valores e prioridades editoriais, assim como são para os negócios de software e publicidade”, diz Diakopoulo em artigo publicado pelo site Columbia Journalism Review (CJR). “Os feeds de notícias jornalísticos são uma oportunidade para as organizações de notícias retomarem algum controle sobre a distribuição, escrevendo algoritmos com valores editoriais éticos e de interesse público reconhecidos”, completa.

Os algoritmos do jornal The New York Times, por exemplo, são usados para a disposição de conteúdos da página inicial e o conteúdo do site e dos aplicativos do diário. Na prática, diz o vice-presidente de engenharia do The New York Times, Brian Hamman, o site é um feed com curadoria algorítmica, listas de artigos organizados em blocos e pacotes que formam as unidades atômicas de seu layout. A capa do portal pode exibir mais de 160 combinações diferentes de layout, alterando para acomodar diferentes tipos de artigos e imagens. Diferenças sutis na rotulagem e tipografia permitem que o algoritmo use o design para sinalizar a importância editorial.

No Reino Unido, a BBC trabalha no desenvolvimento de um algoritmo de curadoria por rádio personalizado, que pode eventualmente chegar ao aplicativo BBC Sounds. A BBC pretende recomendar áudio de forma a garantir exposição do público a uma diversidade de conteúdo, mas também não quer engessar sua distribuição nas opções de personalização para que as pessoas não percam a experiência compartilhada de ouvir conteúdo relevante.

O objetivo da BBC, conta Bill Thompson, que trabalha para o departamento de pesquisa e desenvolvimento da emissora britânica, é permitir “uma consciência contínua” de como os valores da redação são refletidos em sua tecnologia. “Esse processo precisa de métricas cuidadosamente alinhadas aos princípios éticos, tanto quanto de pessoas diligentes e metódicas para implementá-lo”, afirma Thompson.

Não há, segundo Diakopoulos, um conjunto de valores universais que devem ser projetados em um feed de notícias jornalísticas. Para ele, o melhor para a sociedade é que haja de fato uma variedade de algoritmos de notícias, cada um enfatizando valores diferentes. O design algorítmico, afirma o professor, é uma nova e importante maneira de pensar sobre a diversidade da mídia que aumenta os riscos para as pessoas que constroem esses sistemas, uma vez que engenheiros e projetistas de feeds de notícias jornalísticas precisam se comprometer com a administração dos valores do jornalismo nas tecnologias que constroem. “Se o fizerem, é possível recuperar a distribuição de notícias de empresas de tecnologia e garantir que os valores de interesse comercial e público sejam mais equilibrados”, diz Diakopoulos.

Leia aqui o artigo na íntegra.