Professor David Rand liderou a pesquisa Professor David Rand liderou a pesquisa Reprodução

Marcar apenas alguns dos conteúdos falsos, como faz o Facebook, estimula a desinformação, diz estudo do MIT

A medida tomada pelo Facebook, após constatada a enxurrada de desinformação que tomou conta da maior rede social do mundo a partir de 2016, de sinalizar apenas alguns conteúdos comprovados como falsos por verificadores independentes é como um tiro que sai pela culatra, mostra uma nova pesquisa do Massachusetts Institute of Technology (MIT). O estudo revela que a marcação limitada a poucas postagens em um universo gigantesco de falsidades torna os leitores mais dispostos a acreditar nos conteúdos não assinalados e compartilhá-los com amigos, mesmo quando carregados de inverdades.

Os pesquisadores chamam o fenômeno de "efeito implícito” da verdade. "Essa é uma daquelas coisas em que, quando você aponta, parece óbvio em retrospecto", diz David Rand, professor associado de ciência da administração e ciências cognitivas e do cérebro do MIT Sloan School of Management, que liderou o estudo. "Mas, no nosso entendimento de anos de pesquisa, ninguém havia apontado isso antes".

A equipe de Rand realizou estudo com mais de 6 mil participantes. Na primeira parte da pesquisa, foi mostrada às pessoas uma variedade de manchetes de notícias reais e falsas, exatamente como são apresentadas no Facebook. Metade do grupo recebeu conteúdos sem marcação. À outra metade foi mostrada uma série de postagens marcadas e não marcadas. Os resultados foram inquietantes.

Os rótulos de aviso funcionaram para sinalizar conteúdo fictício: apenas 16,1% das pessoas compartilharam essas postagens. O problema é que os conteúdos falsos não marcados foram compartilhados por 36,2% dos entrevistados. "Quando você começa a colocar etiquetas de aviso em algumas coisas, tudo faz parecer mais credível", diz Rand. Há, segundo ele, uma falsa sensação de segurança, porque as pessoas podem supor que algo foi verificado quando, na verdade, isso não ocorreu. De fato, 21,5% dos participantes disseram acreditar que as manchetes não identificadas foram verificadas.

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