Anúncios políticos no Facebook continuam pouco transparentes sobre quem os pagou, diz estudo

Anúncios políticos no Facebook continuam pouco transparentes sobre quem os pagou, diz estudo

Nos anos seguintes ao uso do Facebook para influenciar as eleições presidenciais dos Estados Unidos, em 2016, a rede social anunciou medidas de verificação destinadas a impedir que pessoas e grupos estrangeiros possam comprar núncios políticos direcionados ao público norte-americano. Também empreendeu iniciativas que colocaram as postagens pagas em um arquivo público. Mas os pesquisadores Laura Edelson, Tobias Lauringer e Damon McCoy, da Escola de Engenharia Tandon da Universidade de Nova York, descobriram uma série de defeitos que ainda permitem “que um anunciante mal-intencionado evite a divulgação precisa de seus anúncios políticos".

Os três especialistas realizaram uma auditoria de segurança do arquivo de anúncios on-line do Facebook entre maio de 2018 e junho de 2019. Suas conclusões foram explicadas em recente artigo no jornal The Washington Post. No estudo, mais de 86 mil páginas do Facebook exibiram pelo menos um anúncio político que não foi divulgado adequadamente. Além disso, cerca de 20 mil anúncios foram comprados por "comunidades provavelmente não autênticas", de acordo com o estudo.

O Facebook informou que sanou nos últimos meses as deficiências que os pesquisadores identificaram em seu estudo. "Nossas medidas de autorização e transparência mudaram significativamente desde que essa pesquisa foi realizada", disse o porta-voz Joe Osborne em comunicado. "Oferecemos mais transparência em publicidade política e de propaganda do que TV, rádio ou qualquer outra plataforma de publicidade digital".

Mas Edelson, um dos autores do estudo, disse que algumas preocupações persistem, incluindo a possibilidade de o Facebook não aplicar de forma precisa suas próprias regras. "A plataforma de anúncios do Facebook e seus mecanismos de transparência simplesmente não foram construídos com a segurança em mente", disse o pesquisador.

Propaganda enganosa

Na última quarta-feira (4), o Facebook anunciou ter removido propagandas da campanha de reeleição do presidente Donald Trump sobre o censo de 2020, que começará na próxima semana. Segundo a rede social, o conteúdo promovido pelas páginas de Trump e do vice-presidente Mike Pence, violava sua política contra a desinformação.

No início do mês, a “Trump, torne os EUA grandes de novo” – braço conjunto da campanha de reeleição do presidente e do Comitê Nacional do Partido Republicano – começou a veicular propagandas que, segundo o Facebook, poderiam causar confusões sobre o censo, informou o jornal O Globo. As mensagens continham links que direcionavam o usuário para uma pesquisa no site oficial de Trump e, em seguida, para uma página que pedia doações.

“Precisamos que americanos patrióticos como você respondam a este censo para que possamos desenvolver uma estratégia vencedora para seu estado”, dizia uma das propagandas. Outra, que buscava engajar o eleitor por meio de mensagens de texto afirmava: “precisamos ouvir você antes da eleição mais importante da História americana”. O censo, no entanto, só começará oficialmente no dia 12 de março, segundo seu site.

No entendimento de grupos defensores dos direitos humanos, a campanha associava erroneamente a sondagem – uma atividade oficial do governo – ao presidente. A sondagem acontece a cada decênio e determina a contagem populacional que será usada para desenhar os mapas eleitorais, algo que poderá afetar a composição de distritos eleitorais e limitar a participação popular nas eleições.

Leia mais em:

https://www.washingtonpost.com/technology/2020/03/06/tens-thousands-political-ads-facebook-lacked-key-details-about-who-paid-them-new-report-finds/

https://www.nytimes.com/2020/03/05/technology/facebook-trump-census-ads.html 

https://oglobo.globo.com/mundo/facebook-remove-propagandas-enganosas-da-campanha-de-reeleicao-de-trump-sobre-censo-24289737