Imagem de uma das reportagens do Armando.info que resultaram na perseguição ao portal Imagem de uma das reportagens do Armando.info que resultaram na perseguição ao portal / Divulgação/ SIP

SIP denuncia uso de leis para punir imprensa na Venezuela após jornalistas serem obrigados a abandonarem o país

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou novo ataque do presidente Nicolás Maduro, da Venezuela, à liberdade de imprensa. O governo chavista abriu um processo de difamação que obrigou quatros jornalistas do portal Armando.info a abandonarem o país antes que tivessem seus passaportes retirados e sob o risco de um julgamento sem imparcialidade. O presidente da SIP, Gustavo Mohme, disse que a entidade permanece "denunciando a utilização de leis de difamação e consequentes processos judiciais” como um dos mecanismos favoritos do governo, funcionários, organismos estatais e pessoas e grupos ligados a Maduro “para frear a difusão de informação crítica e gerar autocensura".

A perseguição aos jornalistas – os editores Alfredo Meza, Ewald Scharfenberg e Joseph Poliszuk e o repórter Roberto Deniz – começou, segundo o El País, a partir da investigação conduzida pelo Armando.info sobre o negócio por trás do plano estatal de distribuição de alimentos chamado Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP).

Deniz assinou duas reportagens, publicadas em abril e em setembro de 2017, que documentam a relação entre o empresário colombiano Alex Saab, originário de Barranquilla, a empresa Group Grand Limited – que de acordo com a ex-promotora Luisa Ortega Díaz possui ligações diretas com Maduro – e a venda ao governo venezuelano de comida para os CLAP. O programa distribui alimentos a preços subsidiados em amplos setores da população onde a escassez atinge diariamente centenas de milhares de pessoas.

Saab entrou com uma ação judicial, acusando os jornalistas de “difamação agravada continuada” e “injúria agravada”, dois crimes pelos quais a Justiça venezuelana prevê penas de prisão de um a seis anos.

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/02/06/internacional/1517882614_458516.html