Publishers vão ao Congresso dos EUA contra o duopólio digital e sensibilizam políticos, mas alguns analistas criticam iniciativa Reprodução

Publishers vão ao Congresso dos EUA contra o duopólio digital e sensibilizam políticos, mas alguns analistas criticam iniciativa

O gigantesco desequilíbrio do mercado de publicidade digital nos Estados Unidos, amplamente dominado pelo duopólio formado por Google e Facebook, levou os publishers norte-americanos a uma rotina de permanente diálogo com parlamentares, cuja atuação é motivo de constante escrutínio do jornalismo independente. Nessa inusitada aliança, os editores procuram obter uma espécie de isenção antimonopólio de quatro anos para os produtores de notícias, enquanto negociam com o Google e o Facebook sobre como os dólares de publicidade são repartidos e, ainda, a monetização do jornalismo distribuído pelas empresas digitais. A abordagem, entretanto, tem recebido críticas de jornalistas especializados na análise do mercado de mídia.  

A frente no Congresso norte-americano é liderada pela News Media Alliance, instituição resultante da Newspaper Association of America (NAA) e que reúne mais de 2 mil veículos da imprensa dos Estados Unidos e do Canadá. David Chavern, presidente e CEO da entidade, diz que uma nova legislação daria às redações maior capacidade de negociação com Google e Facebook, que historicamente ditam termos para sua própria vantagem. O executivo diz que a isenção antitruste permitiria que as agências de notícias se unissem para lutar por algo sem dúvida mais valioso que dinheiro, detalha Rob Tornoe em texto no site Editor&Publisher: os dados. As empresas de tecnologia, afirma, sabem mais do que as empresas noticiosas sobre seus leitores.

Em entrevista ao Editor&Publisher, Chavern sustenta ainda que o domínio do Google em todos os aspectos do negócio de publicidade digital se estende aos sites de notícias em si, onde as ferramentas de veiculação de anúncios da gigante da tecnologia são frequentemente usadas para exibir anúncios. Além disso, muitas redações veiculam seus vídeos usando o YouTube, o que exige que as empresas usem os produtos do Google para comprar anúncios. 

A incursão das empresas jornalísticas encontra apoio entre republicanos e democratas. “Não se trata apenas de domínio no mercado, mas da capacidade dos cidadãos deste país de acessar notícias locais confiáveis e de uma imprensa livre”, diz o democrata David Cicilline.

Resistências

Especialista em mídia, o jornalista Jack Shafer, do site Politico, é uma das vozes contrárias à isenção antitruste pela qual trabalham os publishers no Congresso. Para ele, é um equívoco culpar Facebook e Google pelo declínio da indústria jornalística. “Eles (as empresas) construíram um produto muito melhor”. 

Shafer afirma que a imprensa quer um retorno aos dias de glória das margens de lucro de 30% entre os anos 1970 e o início dos anos 2000, mas se esquece dos dias menos lucrativos das décadas de 1940 e 1950, quando a concorrência do rádio e a chegada da televisão forçaram o fechamento de jornais. O jornalista diz ainda que a mídia minou sua própria receita investindo em sites de classificados que afastaram a receita de publicidade de seus principais produtos.

"Embora seja verdade que a receita de jornais diminuiu acentuadamente nas últimas duas décadas, e a receita do Google e do Facebook tenha aumentado de forma tão dramática, não é preciso dizer que um aumento causou a queda do outro", escreve Mathew Ingram, editor-chefe da área digital do site Columbia Journalism Review (CJR), da Escola de Jornalismo da Universidade Columbia. "O mercado publicitário mudou de várias maneiras – muitas relacionadas à expansão de opções – e o Google e o Facebook se aproveitaram disso".

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https://www.editorandpublisher.com/feature/with-the-help-of-washington-news-publishers-fight-to-recapture-advertising-dollars-from-facebook-and-google/