Podcasts de notícias entram em “círculo virtuoso”, diz estudo do Instituto Reuters    Reprodução/Instituto Reuters

Podcasts de notícias entram em “círculo virtuoso”, diz estudo do Instituto Reuters   

O número de podcasts de notícias em cinco países onde este segmento está consolidado cresceu 32% entre janeiro e outubro de 2019, segundo nova pesquisa do Instituto Reuters. A curva ascendente, diz o estudo, indica que aos poucos os publishers começam a obter a confiança das marcas anunciantes, fundamentais para o financiamento desse tipo de narrativa jornalística, e abrir caminho para um modelo de assinatura – neste momento, concentrado nos serviços de empresas como Spotify e Apple. “Parece que estamos em um círculo virtuoso de crescimento. O aumento do público está atraindo o interesse dos anunciantes e isso oferece fortes incentivos para criar um conteúdo melhor”, afirma Nic Newman, um dos autores do estudo.

O relatório identificou quase 60 podcasts diários nos Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, França e Suécia, a maioria dos quais foi lançada nos últimos 18 meses. Alguns dos podcasts de notícias mais populares nos Estados Unidos, como o The Daily do The New York Times, estão atraindo audiência de milhões, enquanto outros estão lutando em um mercado cada vez mais competitivo. O relatório constata que os editores estão fazendo investimentos significativos em podcasting de notícias, na esperança de atrair públicos mais jovens, criar hábitos e gerar receita adicional.

"Públicos maiores, melhores medições e acesso mais fácil se combinaram para mudar a economia do podcasting de notícias”, diz Newman. “Por sua vez, isso encoraja os editores a investir na criação de mais conteúdo de qualidade e plataformas a investir em melhor distribuição e monetização”, afirma.

Os publishers que investem em podcasts têm se movimentado para abrir aqui um novo espaço para publicidade. Também estão atentos à possibilidade de monetização via assinaturas, mas ainda com muita cautela. Ocorre, segundo o estudo, que muitos editores temem que, mais uma vez, estejam ajudando as grandes empresas de tecnologia a criar negócios lucrativos com base em seu conteúdo. Outros se preocupam com a possibilidade de perderem o relacionamento direto com o público, incluindo dados de terceiros, pois as plataformas assumem o crédito pelo conteúdo.

De qualquer forma, a pesquisa identificou o aparecimento de empresas dispostas a disputar o mercado de distribuição de podcasts. “Nos Estados Unidos, novas plataformas como Luminary e Stitcher Premium estão tentando criar um novo modelo de negócios com base em assinaturas premium, enquanto na Europa estamos vendo o surgimento de novos serviços como Majelan e Sybel, na França, ou Podimo, na Dinamarca. Todos esses atores têm a ambição de se tornar o 'Netflix do podcasting', pois investem em conteúdo de áudio original e tentam levar o podcasting a um público mais amplo ”, diz Nathan Gallo, coautor do estudo.

O estudo identificou três grandes formatos entre os podcasts noticiosos: os micro-boletins (com duração de 1 a 5 minutos); o resumo das notícias (com duração entre 6 e 10 minutos); e mergulhos profundos com duração de 20 minutos ou mais. “Esses programas ajudam as pessoas a entender uma questão complexa todos os dias em profundidade. É um antídoto contra o constante bombardeio de notícias através das redes sociais e da Internet em geral, e um alívio do vício em telas”, destaca Newman.

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