Informe dos EUA é o mais extenso da reunião da SIP e alerta: Trump criou incerteza sobre a livre expressão

Os ataques do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a jornalistas e à mídia foram citados como um dos mais graves retrocessos à liberdade de imprensa nas Américas pelo relatório final da reunião de meio ano da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), encerrada na última segunda-feira (3). “É inquietante observar como nesse país, berço do jornalismo livre, começa a aparecer a perseguição, que é a antessala das ameaças e da violência”, enfatizou o documento. A advertência tem por base o relatório semestral sobre a situação da imprensa norte-americana, que de forma inusitada foi o mais extenso entre os 23 informes nacionais apresentados no encontro. O relatório assinala que Trump causou “ansiedade” e “incerteza” ao jornalismo e ao futuro da liberdade de expressão, pilares fundamentais da democracia norte-americana.

Apresentado por Katie Townsend, do Reporters Committee for Freedom of the Press, o documento detalha a agressividade de Trump à imprensa (sem precedentes na história do país) desde a campanha eleitoral, em 2016. Katie citou alguns dos inúmeros ataques verbais (muitos pelas redes sociais) do presidente norte-americano, a falta de transparência do atual governo, restrições ao jornalismo independente, privilégios a veículos favoráveis à Casa Branca, a prática de disseminar desinformação e mentiras e as seguidas ameaças de processos judiciais, entre outras atitudes que não condizem com os princípios da liberdade de imprensa.

O relatório enfatiza que a retórica do governo Trump ameaça sufocar a capacidade dos meios de comunicação de informar o público sobre as atividades da nova administração e seus planos para o país. Informa que a falta de transparência tem impedido a cobertura de notícias e restringido a capacidade dos jornalistas para informar sobre as políticas que afetam diretamente os cidadãos.

Ao comentar o desafio do jornalismo diante das notícias falsas, o documento destaca que o presidente cooptou o termo para desacreditar e atacar as informações legítimas e verdadeiras que são desfavoráveis a ele. O texto denuncia ainda evidências de uma preocupante tendência de financiamento e apoio a discursos civis contra a imprensa.

O relatório reforça que o jornalismo independente é uma das marcas da democracia norte-americana. “Uma imprensa livre funciona como controle sobre o poder governamental e proteção contra a conduta imprópria de funcionários públicos”.

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http://www.sipiapa.org/notas/1211372-informe-eeuu-fue-el-mas-extenso-presentado-la-reunion-la-sip