Estudo comprova os riscos da superficialidade da pesquisa do Facebook para classificar a credibilidade das notícias The Washington Post e Bernhard Clemm

Estudo comprova os riscos da superficialidade da pesquisa do Facebook para classificar a credibilidade das notícias

A decisão do Facebook de entregar aos usuários a classificação de credibilidade dos produtores de notícias esbarra no pouco conhecimento e no comportamento das pessoas, vitaminando as notícias falsas na internet. Recente estudo, feito com métodos semelhantes aos propostos pela rede social – a partir de apenas duas perguntas –, do PhD na European University Institute Bernhard Clemm, mostra como isso ocorre. As pessoas em pesquisas superficiais desse tipo geralmente indicam confiança em fontes falsas que têm nomes familiares e de vaga credibilidade, diz Clemm. Ao mesmo tempo, os usuários com grande interesse em promover "seus" meios de comunicação podem prejudicar os resultados.

Em artigo no jornal norte-americano The Washington Post, o pesquisador detalhou seu estudo, realizado na Alemanha com quase 400 usuários do Facebook antes da eleição alemã. Clemm pediu ao grupo que avaliasse a confiabilidade de dez empresas indicadas como meios de comunicação. Entre elas, cinco marcas de companhias jornalísticas de credibilidade com grande alcance e “apenas inclinações partidárias moderadas” – Heute, NTV, Welt, Süddeutsche e Deutschlandfunk. Dois jornais menores, Junge Welt e Junge Freiheit, abertamente partidários, mas organizações profissionais dirigidas por jornalistas. E três sites não-profissionais que publicavam notícias falsas ou distorcidas que circularam no Facebook: 24-aktuelles.com, Internetz-Zeitung e Newsblitz.

Clemm solicitou aos participantes que classificassem os indicados em uma escala de confiabilidade de 0 a 10, muito parecido com a métrica anunciada pelo Facebook. Os veículos profissionais de grande alcance ficaram com índices muito próximos a seis pontos. Mas a vantagem deles em relação aos produtores de falsidades (entre quatro e cinco pontos) mostrou-se pequena. Pior: os sites de notícias falsas receberam notas mais altas que os dois pequenos jornais profissionais. 

O pesquisador ressalta a fragilidade de pesquisas assim, tão superficiais. As pessoas que, em estudos, dizem confiar em algo podem não se comportar assim na realidade. “Confiar é mais sobre o comportamento real do que sobre reações rápidas; as pessoas podem ser mais inteligentes ao navegar num ambiente de notícias real”, afirma Clemm, para em seguida fazer um alerta. “Este é exatamente o problema: o Facebook propõe uma maneira superficial de medir um fenômeno social complexo”, ressalta, lembrando que a rede social não especificou qual será o papel de suas métricas na definição do ranking de notícias confiáveis.

O estudiosos destaca que os dados do seu estudo também mostram que os participantes desconfiam das organizações excessivamente partidários. Isso pode ser o que o Facebook pretende, afirma Clemm, mas mesmo assim estará preso ao sectarismo. Isso porque muitos sites de notícias online são exclusivamente partidários e todos os leitores concordam. “Como outros apontam, se as únicas pessoas autorizadas a avaliar sua confiabilidade são seus leitores, esses sites serão extremamente bons”.

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https://www.washingtonpost.com/news/monkey-cage/wp/2018/02/01/facebook-wants-to-drive-out-fake-news-by-having-users-rate-news-outlets-credibility-heres-the-problem-with-that/?utm_campaign=Newsletters&utm_medium=email&utm_source=sendgrid&utm_term=.2f6a58347eac

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