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Jornalismo na web supera com ampla vantagem as “fake news”, menos no Facebook, diz pesquisa Reuters Institute for the Study of Journalism

Jornalismo na web supera com ampla vantagem as “fake news”, menos no Facebook, diz pesquisa

Pesquisa do Reuters Institute for the Study of Journalism divulgada nesta semana revela que os sites de notícias falsas na Itália e na França registram baixo alcance e pouca audiência, enquanto as páginas das empresas jornalísticas na web contam com índices elevados de visitação e engajamento, em comportamento que pode refletir o que ocorre em toda Europa. No Facebook, porém, a realidade é diferente, ainda que os pesquisadores digam que é preciso investigar mais (há poucas pesquisas sobre o tema). Na rede social, as “fake news” ganham impulso e muitas vezes superam as publicações da mídia, especialmente na França, onde uma notícia falsa gerou uma média de mais de 11 milhões de interações por mês, cinco vezes mais que as postagens de empresas jornalísticas com credibilidade reconhecida.

“A desinformação online é uma questão importante que o público, os publishers, as empresas de tecnologia, os formuladores de políticas e outras partes interessadas devem prestar séria atenção”, alertaram os pesquisadores Richard Fletcher, Alessio Cornia, Lucas Graves e Rasmus Kleis Nielsen. Ao mesmo tempo, o estudo mostra que é possível reduzir o impacto das notícias falsas nas redes sociais. Em geral, os falsos sites de notícias não geraram tantas impressões no Facebook quanto as marcas legítimas de produção de conteúdo.

Isso, no entanto, ainda não deve ser motivo de comemoração. Os pesquisadores advertem que há o risco de que, se houver mais sites de notícias falsas, o alcance combinado será maior que o verificado no exame do alcance individual. Isso é alarmante se os sites de notícias falsas estão chegando às pessoas mais do que os conteúdos das empresas jornalísticas, como ocorre muitas vezes no Facebook. Tendência que, segundo especialistas, deve ganhar impulso com a decisão de Mark Zuckerberg de reduzir na sua rede social a exposição de postagens jornalísticas em favor das de amigos e parentes.

Outro perigo sinalizado pela pesquisa é a sobreposição -- leitores que buscam informação nos sites mentirosos e, também, nas páginas de jornais e outros veículos de comunicação confiáveis --, o que indica dificuldade de distinguir a verdade da mentira. Na França, em outubro de 2017, considerando apenas o fluxo via desktop, 45,4% dos usuários do campeão de audiência entre os sites de notícias falsas, o Santé+ Magazine, também usaram a página do Le Figaro, enquanto 34% utilizaram o site do Le Monde. Na Itália, também em outubro de 2017, 62,2% dos usuários do Retenews24, o mais popular propagador de falsidades do país, visitaram o site do Il Corriere della Sera, e 52,3% utilizaram a versão online do La Repubblica.

Em contrapartida, há larga vantagem para o jornalismo na web, fora das interações em redes sociais. Nenhum dos cerca de 20 sites de notícias falsas pesquisados em cada país, a partir de análise inicial de 600 páginas, teve um alcance mensal médio de mais de 3,5% em 2017, com a maioria atingindo menos de 1% da população online na França e na Itália. Em comparação, os sites de notícias mais populares na França (Le Figaro) e Itália (La Repubblica) apresentaram um alcance mensal médio de 22,3% e 50,9%, respectivamente.

As páginas de “fake news” também perdem em engajamento. Os sites de notícias falsas mais populares na França, segundo o estudo, foram vistos por cerca de 10 milhões de minutos por mês. Na Itália, foram 7,5 milhões de minutos. Tempos muito inferiores aos dos sites jornalísticos. As pessoas gastaram em média de 178 milhões de minutos por mês com o Le Monde e 443 milhões de minutos com o La Repubblica – mais do que o tempo combinado gasto com 20 sites falsos de notícias em cada amostra, informaram os pesquisadores.

Leia mais em:

http://www.niemanlab.org/2018/01/heres-a-first-attempt-to-quantify-the-extent-of-europes-fake-news-problem/