Dar valor ao tempo do leitor é fundamental na busca por assinaturas digitas, diz Frederic Filloux Reprodução/Monday Note

Dar valor ao tempo do leitor é fundamental na busca por assinaturas digitas, diz Frederic Filloux

Identificado como uma forte alternativa de monetização dos publishers ao controle da publicidade digital por parte do duopólio formado por Google e Facebook, o conteúdo pago tem limitações criadas pelas mudanças na forma como os consumidores gastam seu tempo e dinheiro no meio online, cada vez mais mobile (via smartphones), e na dura disputada por audiência com demais produtores de conteúdo. Nessa batalha, dinheiro e tempo estão mais do que nunca interligados, afirma o editor do site Monday Note, Frederic Filloux. “Um meio de comunicação capaz de convencer seus leitores de que o preço que pede é uma maneira de economizar seu valioso tempo terá uma poderosa proposta de valor”, afirma o jornalista.

Ao analisar algumas das mais importantes e recentes pesquisas de tendências no mercado de comunicação, Filloux chama a atenção para a pequena fatia de leitores disposta a pagar por notícias online (cerca de 10%). Além disso, a média dos entrevistados por diferentes estudos afirma estar disposta a pagar por apenas uma assinatura digital mensal, enquanto cresce a oferta de serviços pagos não apenas no que diz respeito a notícias, mas também a filmes, jogos e outros tipos de entretenimento.  

Nos Estados Unidos, por exemplo, diz o jornalista, o consumo dos norte-americanos com entretenimento cresceu 12% entre 2015 e 2017, enquanto o aumento do rendimento médio (antes dos impostos) foi bem menor, de 5,6%. Apenas em serviços de vídeo, como os oferecidos pela Netflix, os gastos dos norte-americanos aumentaram 17,5% entre 2017 e 2019. O mesmo ocorre nos países mais conectados e de alta alfabetização midiática. Na Suécia, por exemplo, os leitores gastam menos de US$ 16 por mês em assinatura digital e não mais que US$ 8 em mídia impressa, destaca Filloux.

O jornalista diz que, nesse cenário, “não mais do que cinco marcas em cada mercado” podem permanecer fortalecidas e capazes de manter redações consideráveis. “O resto ainda enfrenta um grande encolhimento. A maioria das organizações de notícias não terá recursos para garantir abrangência em sua cobertura e terá que se concentrar no que seus clientes mais valorizam, como conteúdo local, especializado ou relacionado a serviços”.

Além disso, prossegue Filloux, o menor tempo gasto com a leitura de jornais e revistas e, em contrapartida, o acelerado crescimento no maior uso de celulares para busca de informação e entretenimento resultou em brutal ajuste nos gastos com publicidade, afirma o jornalista. Entre 2010 e 2018, o tempo diário de leitura de um jornal caiu em mais da metade, de 25 para 12 minutos, enquanto a leitura de revistas diminuiu em 38%, de 24 para 15 minutos. Simultaneamente, no mesmo período, o uso móvel passou de 8% dos minutos gastos em várias mídias (excluindo rádio e TV) para 33%.

O resultado disso, ressalta Filloux, é um aumento da participação do mobile nos investimentos de publicidade de 0,5%, em 2010, para 33% em 2018. No mesmo período, a fatia dos investimentos em publicidade impressa recuou de 27% para 7% -- com queda de 8% para 3% no tempo utilizado para consumo, o que sugere margem para mais perdas, segundo o jornalista.  “Os jornais diários devem se acostumar com isso e se transformar em semanários mais fortes, distribuídos de maneira altamente otimizada, juntamente com sites e aplicativos segmentados”, sugere Filloux.

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https://mondaynote.com/the-consumer-trends-that-destroyed-medias-business-model-945941075557